Há quem colecione carros antigos levando em consideração a quantidade de veículos que possui, há os que prezam pela história do modelo, mas há ainda aqueles que simplesmente desejam um automóvel que marcou a sua vida de alguma forma.
Com uma lataria banhada em um vermelho exuberante e a interna com os bancos em bege, gerando um contraste sem igual, o automóvel do engenheiro agrônomo aposentado Eduardo Gonzaga de Oliveira chama a atenção de qualquer apreciador de carros antigos. O veículo atende bem o perfil de quem quer contar uma história por meio de seu carro. O modelo em questão é um Ford Custom, ano 1951. "Meu pai teve um automóvel desse modelo. Já tive outro carro antigo, mas nunca me imaginei colecionador. Pode até ser que aconteça, mas na verdade posso dizer que já tenho o carro que gostaria", revela.
Apesar de não recordar uma história específica que tenha vivido a bordo do modelo nos seus tempos de menino, ele reforça que o seu sonho de consumo sempre foi o Custom 51 e entrar nele hoje é pura nostalgia.
Agrega valor ao automóvel as placas pretas. Para alcançar tal status, um carro tem que cumprir alguns requisitos, entre eles, ter pelo menos 30 anos de fabricação, 80% de originalidade com 70% de conservação. A Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) é informada de todo o processo de avaliação antes que uma placa seja concedida. "Já o comprei placa preta. Isso faz o carro valer mais, mas o que considero importante mesmo é que pude adquirir um veículo original, sem substituições de peças, algo raro", aponta Oliveira.
O agrônomo faz questão de ressaltar que procura manter a mecânica do veículo em dia e não abre mão de pilotar o automóvel vez ou outra. Para lhe fazer companhia nos passeios, ele procura levar membros de sua família e garante: "O veículo transporta até oito pessoas com muito conforto", sendo quatro no banco interiço da dianteira e quatro nos banco traseiro. Apesar da idade, 62 anos, e os freios a tambor, o proprietário afirma não existir nada mais prazeroso do que pilotar o seu Ford Custom. "Dirigir uma Mercedes moderna não é tão bom quanto guiá-lo", garante.
O design alongado do veículo o faz parecer, além de confortável, muito elegante. Para os aficionados por veículos antigos e, principalmente robustez, vale salientar que o Custom 51 esconde um potente motor V8 Canadense.
Com tantos atributos, o Ford Custom, comprado há pouco mais de um ano, de uma família de Santa Catarina, é considerado um achado por Oliveira, principalmente por não ter necessitado de grandes ajustes para rodar ou mesmo melhorar sua aparência. "A família já o tinha por 30 anos, mas o senhor que era o dono havia falecido e os filhos queriam vendê-lo. O carro impressionava pelo bom estado de conservação", lembra.

Prêmios
Embora não saiba ao certo quantos prêmios o Ford Custom já ganhou, Oliveira comenta que foi informado, pelos antigos donos, que o carro já venceu alguns prêmios em encontros de veículos e raridades automobilísticas. "Ainda não ganhou nenhum comigo, mas espero um dia vencer com ele."
Adepto do ditado "nunca diga nunca", Oliveira não descarta um dia vender o veículo, mas garante que essa não é a intenção de momento. Tanto é que algumas propostas já foram dispensadas.

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