É frequente encontrá-los em desfiles, solenidades e outros eventos oficiais. Pensou em algo que remeta ao passado da cidade, lá estão eles. A frota de veículos antigos da Viação Garcia guarda um pedaço da história de Londrina e do transporte rodoviário do Paraná. São sete carros, além de peças e fotos que mantêm um verdadeiro museu histórico vivo.
Um dos responsáveis por zelar pelo espaço é o gerente de manutenção Ildefonso Silva. Com 35 anos de empresa, ele conta que a história do transporte rodoviário na região nasceu de um caminhão Ford BB, de 1933, que depois de adaptado virou a ''Catita''.
''É o veículo que resume a razão de existir da empresa. Não tem preço. A história toda começou deste veículo, que era um caminhão e foi transformado numa jardineira'', argumenta ele, que guarda no museu, além da Catita, um exemplar de cada década até os anos 90.
O primeiro itinerário que a jardineira desbravou foi o trecho de 25 quilômetros entre Londrina e Jataizinho. ''A viagem durava um dia todo. Na época não havia estradas e o veículo andava por picadas (passagens abertas entre trechos de mata)'', conta Silva.
Na década seguinte o então proeminente empresário Celso Garcia Cid resolveu investir em conforto para os passageiros. Fechado e com cortinas, o ônibus da montadora General Motors, cujo nome era GMC 1942, recebeu dos passageiros o apelido de Pavão, devido às cores e ao formato exótico.
Silva recorda uma história curiosa. Na época da Segunda Guerra Mundial houve um racionamento de combustíveis. Faltava gasolina para abastercer os responsáveis pelo transporte. ''Por isso os mecânicos da empresa adaptaram o motor para funcionar à base de gasogênio. O motorista colocava lenha e um gás funcionava o veículo'', explica ele. ''Se naquela época o ônibus tivesse parado, o projeto poderia ter morrido'', acredita.
Na década de 1940, a empresa incluiu novos itinerários como Maringá e Paranavaí, distantes 100 e 207 quilômetros de Londrina, respectivamente.
O período seguinte iria inaugurar uma época que perdura até hoje. A chamada fase dos ônibus com parte frontal retilínea. ''Foi quando o itinerário chegou até Campo Mourão e Curitiba e, pela primeira vez, atravessou a fronteira do Estado, chegando até São Paulo'', comenta Silva. ''O apelido desse caro era Geraldão, por causa de um motorista que era muito carismático'', adiciona.
Nos anos 60, a empresa adotou um ônibus que viria consolidar seu crescimento. O popular ''Fenemê'', apelido oriundo da sigla FNM, que significa Fábrica Nacional de Motores, consolidou rotas como Curitiba e São Paulo, cuja demanda crescia acompanhando o desenvolvimento da cidade e do Estado.
Mas o carro da década seguinte, mais precisamente nos anos 1970, guarda o período histórico mais importante da empresa. Ele circulou até metade dos anos 1980, quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil. Na passagem por Curitiba, por obra do destino o pontífice embarcou sem querer no ônibus da Garcia.
''O Papa tinha à disposição o 'papa móvel', mas nosso ônibus estava estacionado ao lado. Não sei se foi por confusão, mas para nossa felicidade ele embarcou no nosso carro, sentando no primeiro lugar'', recorda empolgado. Ele lembra que o trajeto foi entre o Aeroporto Afonso Penna e o Círculo Militar de Curitiba.
''Depois a poltrona foi retirada, colocamos numa redoma de vidro e ninguém mais sentou. A partir daquela época o carro também não andou mais e ocupa o acervo do nosso museu'', conclui.
Fase moderna
Os carros das décadas de 1980 e 1990 inauguram uma fase próxima dos modelos atuais de ônibus da empresa. O Trinox, devido à carroceria de inox, marcou a fase com terceiro eixo da frota. ''Essa foi uma ideia da empresa que revolucionou o mercado logo em seguida'', defende Silva, pois o eixo ''trazia mais estabilidade e segurança nas estradas''. Segundo o gerente, o modelo Irizar foi adotado nos anos 90, sendo o mais próximo da fase atual.

mockup