Pesquisa realizada pela Molicar, empresa que presta informações para as seguradoras de veículos, mostra que as concessionárias não repassaram integralmente aos preços a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente nos automóveis.
Pelo acordo firmado entre governo federal, montadoras e sindicatos de trabalhadores, que prevê redução do IPI em troca de estabilidade nos preços e garantia de emprego, os carros deveriam ter ficado pelo menos 8% mais baratos. O acordo foi fechado em 27 de fevereiro e, em 4 deste mês, as montadoras reduziram seus preços.
O governo reduziu a alíquota do IPI de 10% para 5%, nos carros 1.0. Para os carros médios (até 127 HP), cuja alíquota é de 25% ou 30%, houve redução para 17%.
No levantamento da Molicar, que levou em conta seis marcas, a média geral de redução nos preços ficou em apenas 0,6%. Os dados foram coletados entre os dias 1º e 3 e 8 e 10 deste mês.
As vendas do Gol podem aumentar com a redução do ICMS praticado pelo Governo de São PauloDe acordo com Flavio Molica, diretor da Molicar, os preços não registraram muita oscilação porque, após o acordo, as concessionárias suspenderam os descontos que vinham oferecendo.
As revendas explicam que anteciparam a redução de preços prevista no acordo. ‘‘Nunca esteve tão barato comprar um carro , disse Valdemar Verdi Jr., presidente do conselho diretor da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Verdi Jr. afirma ainda que o mercado começou a ter movimento após o acordo do IPI e deve crescer ainda mais com a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre os carros. Na noite de quarta-feira, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou projeto de lei do governo estadual reduzindo o imposto. A alíquota do ICMS para os carros vendidos no Estado de São Paulo cai de 12% para 9%. De acordo com estimativas da Fenabrave, os preços poderão cair ainda mais com o ICMS menor.
A redução total no preço ao consumidor ficaria agora entre 12,5% e 16%, diz a entidade.
A idéia original de sindicalistas, montadoras e governo federal era reduzir o ICMS dos veículos em todos os Estados - nas operações internas e interestaduais.
A única forma de viabilizar a medida seria pela aprovação unânime dos secretários estaduais de Fazenda, mas a proposta não foi aceita por Minas Gerais.
Agora, os carros produzidos em território mineiro ficarão mais caros,
prejudicando a Fiat. O mesmo acontecerá com a Renault, cuja fábrica fica no Paraná. O Estado de São Paulo concentra a produção da Volkswagen, Ford e GM.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, os outros Estados ficarão prejudicados se não aderirem ao acordo. ‘‘Os governadores vão rever suas posições, principalmente o de Minas Gerais, disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

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