Pesquisa revela uma pequena queda de preços dos veículos
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Agência Folha 
Pesquisa realizada pela Molicar, empresa que presta informações para as seguradoras de veículos, mostra que as concessionárias não repassaram integralmente aos preços a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente nos automóveis.
Pelo acordo firmado entre governo federal, montadoras e sindicatos de trabalhadores, que prevê redução do IPI em troca de estabilidade nos preços e garantia de emprego, os carros deveriam ter ficado pelo menos 8% mais baratos. O acordo foi fechado em 27 de fevereiro e, em 4 deste mês, as montadoras reduziram seus preços.
O governo reduziu a alíquota do IPI de 10% para 5%, nos carros 1.0. Para os carros médios (até 127 HP), cuja alíquota é de 25% ou 30%, houve redução para 17%.
No levantamento da Molicar, que levou em conta seis marcas, a média geral de redução nos preços ficou em apenas 0,6%. Os dados foram coletados entre os dias 1º e 3 e 8 e 10 deste mês.
As vendas do Gol podem aumentar com a redução do ICMS praticado pelo Governo de São PauloDe acordo com Flavio Molica, diretor da Molicar, os preços não registraram muita oscilação porque, após o acordo, as concessionárias suspenderam os descontos que vinham oferecendo.
As revendas explicam que anteciparam a redução de preços prevista no acordo. Nunca esteve tão barato comprar um carro , disse Valdemar Verdi Jr., presidente do conselho diretor da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Verdi Jr. afirma ainda que o mercado começou a ter movimento após o acordo do IPI e deve crescer ainda mais com a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre os carros. Na noite de quarta-feira, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou projeto de lei do governo estadual reduzindo o imposto. A alíquota do ICMS para os carros vendidos no Estado de São Paulo cai de 12% para 9%. De acordo com estimativas da Fenabrave, os preços poderão cair ainda mais com o ICMS menor.
A redução total no preço ao consumidor ficaria agora entre 12,5% e 16%, diz a entidade.
A idéia original de sindicalistas, montadoras e governo federal era reduzir o ICMS dos veículos em todos os Estados - nas operações internas e interestaduais.
A única forma de viabilizar a medida seria pela aprovação unânime dos secretários estaduais de Fazenda, mas a proposta não foi aceita por Minas Gerais.
Agora, os carros produzidos em território mineiro ficarão mais caros,
prejudicando a Fiat. O mesmo acontecerá com a Renault, cuja fábrica fica no Paraná. O Estado de São Paulo concentra a produção da Volkswagen, Ford e GM.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, os outros Estados ficarão prejudicados se não aderirem ao acordo. Os governadores vão rever suas posições, principalmente o de Minas Gerais, disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.


