A pesquisa feita pela Central de Inteligência Automotiva (Cinau), instituto especializado no setor de reparação automotiva e ligado ao jornal Oficina Brasil, e divulgada pela Folha Carro & Cia do último domingo, gerou polêmica entre leitores e concessionários da região (leia carta nesta página). Muitos questionaram os resultados obtidos pelo levantamento, realizado após a análise de questionários respondidos por 1.000 profissionais independentes de todo o Brasil.
Segundo Edison Bonifácio, conselheiro técnico da Opera, revenda autorizada da Peugeot em Londrina, a pesquisa esbarra na questão técnica das mecânicas que participaram da avaliação. ''Para consertar um carro hoje é preciso ter um padrão, ou seja, equipamentos de última geração homologados pela montadora e pessoal treinado, qualificado pela fábrica, itens fundamentais para obter qualidade de serviço. Já as oficinas independentes, nem sempre têm o investimento suficiente em equipamentos e qualificação do pessoal para prestar o serviço'', alega.
Para Bonifácio, não há no mercado carros piores ou melhores. ''Se existisse um produto muito pior que os outros de sua categoria, ele provavelmente seria extinto naturalmente do mercado. De forma geral, os veículos em produção mantém um bom padrão de qualidade'', explica o consultor.
''Também achei estranho o resultado da pesquisa. Aqui em Londrina, o índice de aprovação e aceitação dos produtos Ford é elevado, com pouquíssimas reclamações. Em nossa oficina também não há registro de frequência elevada dos carros citados como reprovados pelo levantamento'', refuta Job Terrin, diretor da Tropical, revenda Ford.
Segundo o empresário, a Ford é uma das poucas marcas que reduziram o preço de peças e serviços. ''A Tropical é a 1concessionária do Paraná em qualidade de serviços e atendimento pós-venda. Nossos carros são de fácil manutenção e há até um programa que possibilita a extensão da garantia dos veículos por três anos'', exempliifica.
Para Reginaldo Pereira da Silva, chefe de oficina da Marajó, concessionária Fiat na região, a avaliação da Cinau reflete boa parte da realidade constatada no dia-a-dia. ''O Uno tem uma mecânica simples e sem segredo. Não há complicações e dificuldades na manutenção. O mesmo acontece com o Stilo. Quanto ao Marea 2.4 e Turbo, sabemos dos problemas ocorridos. São motores mais exigidos e que sofrem muito com combustível adulterado e uma manutenção menos atenciosa'', explica Silva se referindo aos modelos aprovados (Uno e Stilo) e os reprovados (Marea 2.4 e Turbo) pela pesquisa.
O consultor da Peugeot ainda questiona o poder da opinião de mecânicos na hora da compra de um carro. ''Somente as informações do mecânico não são suficientes para a compra de um veículo, pois o que é considerado por ele como de 'difícil manutenção' para o cliente pode ser um item de conforto ou de segurança'', diz Bonifácio.
Como exemplo, Bonifácio cita a suspensão traseira do Peugeot 206 que é considerada por muitos profissionais idependentes como sendo de díficil manutenção. ''Na verdade, trata-se de um sistema sofisticado que garante ao carro uma das melhores performance em estabilidade do segmento'', afirma.

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