Responder uma mensagem no WhatsApp, postar uma foto no Instagram ou publicar algo no Facebook são três ações atualmente bastante comuns. Mas essas tarefas preocupam os órgãos que cuidam do trânsito já que, cada vez mais, são executadas enquanto se dirige. "O motorista se desconcentra e tem reações lentas, tornando o ato tão perigoso quanto dirigir após ingerir bebidas alcoólicas", alerta o médico e diretor de Políticas de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde do Paraná, Vinícius Filipak.
O uso de smartphones pode aumentar em até 400% os riscos de um acidente com vítimas fatais, já que o tempo de reação cai 35% em média e a chance de colisão aumenta em até 23 vezes durante a digitação de uma mensagem no celular. Os números são de uma pesquisa da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que estima que dois em cada dez acidentes de trânsito envolvam o uso do aparelho. Entretanto não é possível precisar esse dado, já que os motoristas não costumam revelar a causa do acidente.
No final do ano passado, o governo brasileiro lançou a campanha publicitária "Parada Celular 2013", uma das atividades do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes (Parada), que incentiva a educação, conscientização, sensibilização e promoção de mudanças de atitude no trânsito. Foram utilizadas algumas situações de risco para retratar que o hábito de usar o celular no trânsito é perigoso, como um açougueiro cortando carne enquanto fala ao celular, um marceneiro utilizando uma motosserra também falando ao celular e uma médica operando um paciente e atendendo ao telefone.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), 84% dos motoristas admitem usar o aparelho enquanto estão dirigindo, apesar de todos os entrevistados concordarem que falar ao celular aumenta as chances de acidentes.
Se a pessoa estiver dirigindo a 50 km por hora, por exemplo, e tirar os olhos da estrada por apenas dois segundos, terá percorrido quase 28 metros sem enxergar absolutamente nada. "Além de tirar a mão do volante, você passa a focar naquela atividade. Se está escrevendo uma frase, por exemplo, o raciocínio é desviado e os elementos do trânsito ficam em segundo plano. Alguns segundos de descuido e as consequências podem ser graves", avalia Filipak.
A sugestão é obvia: deixe para responder quando não estiver dirigindo, já que grande parte dessas atividades pode ser deixada para depois. Se for algo urgente, pare o carro em local seguro e utilize o smartphone. "É sempre mais prudente, a vida não vale esse risco", comenta o médico.
Outro vilão de outras épocas e que continua tirando a atenção de motoristas no trânsito é falar ao celular. Mesmo com tecnologias que permitem que a ligação seja atendida pelo viva-voz incorporado ao veículo, Filipak é claro: as mãos permanecem no volante, mas a atenção vai toda para a conversa. "Essas tecnologias não resolvem 100% do problema. O melhor mesmo a se fazer é evitar a tentação ou parar o carro."
Além de colocar a vida do condutor e outros motoristas, passageiros e pedestres, a atitude pode, se flagrada por um agente de trânsito, resultar em multa de R$ 85 e a perda de quatro pontos na carteira de habilitação.

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