Perícia evita golpe dos carros clonados
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sábado, 24 de abril de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
A pior surpresa que alguém pode ter é descobrir que comprou um carro seminovo de procedência duvidosa ou trocando em miúdos roubado. Para se previnir de golpistas atualmente é possível recorrer a perícias veiculares, que garantem por meio de laudos se o carro foi furtado ou clonado e, até mesmo, se possui peças como chassis, motor e câmbio adulterados.
Para evitar essa situação, que está a cada dia mais comum na vida de quem compra e vende carros, o proprietário de loja multimarcas Wilson Maeda optou pelas perícias veiculares. Ele conta que há três anos abriu em Londrina a primeira franquia de perícia veicular: a 3ªVisão Perícia e Vistorias. Desde que conheceu o serviço, o comerciante nunca mais fechou negócio sem um laudo de procedência em mãos.
Segundo Maeda, o objetivo é previnir a compra de carros adulterados, que se reflete em segurança para a loja e para a clientela. Certa vez estava comprando um Celta 2008 e mandei para a perícia. O laudo indicou que a caixa de câmbio não era original. A procedência da peça era de carro roubado e desisti na hora, exemplifica o empresário que compra até dez veículos por mês.
O perito veicular Weslley Danciguer explica que é possível levantar a procedência com base na análise da Base de Índice Nacional (BIN), que é a ficha de montagem e funciona como espécie de certidão de nascimento dos carros. Ele faz a conferência da numeração das peças com as fichas originais para saber se não foram adulteradas.
O maior cuidado é nessa hora. Às vezes os números correspondem, mas foi por que maquiaram a numeração antiga depois de uma raspagem. Quando é assim, são grandes as chances do carro ter sido roubado ou clonado, garante o perito.
Danciguer explica que as fraudes mais comuns ocorrem com motores e chassis trocados. Quando o motor do carro funde o correto é fazer uma retífica. Mas muitos acham mais fácil adquirir outro em melhores condições no mercado negro. Quando é assim o proprietário coloca uma peça roubada no veículo, sem contar que muitos roubos ocorrem por encomenda, declara.
No caso dos chassis trocados, a fraude é comum quando algum carro apresentou perda total após algum acidente mais grave. O proprietário acaba vendendo o que restou do veículo, muitas vezes sem saber, para quadrilhas que utilizam o chassi com documentação legal para montar outro veículo com peças roubadas por cima. Esta fraude é conhecida no jargão dos comerciantes de veículos como cabritagem.
O perito conta que em certa ocasião periciou um carro com tais características e detectou que motor e câmbio foram roubados em outro Estado. Depois de remarcar todas as peças o carro se tornou legal pois os documentos estavam quentes. Mas na prática estava tudo adulterado, completa.
Dacinguer conta que chegou a Londrina há três anos, vindo de São José dos Campos, interior paulista, onde se formou como perito veicular. Ele explica que após ser vítima de uma fraude, que hoje ajuda diariamente a coibir, resolveu optar pela profissão. Comprei um carro que estava aparentemente bom, mas como era de leilão ninguém queria pagar preço de mercado. Depois que fiquei no prejuízo é que resolvi virar perito, finaliza.


