Enquanto a venda de veículos novos vem caindo no País desde janeiro, em comparação com o ano anterior, a de seminovos continua positiva. Em maio, foram comercializados 1.103.156 usados, número 7,4% maior que os 1.026.916 vendidos em abril. Nos cinco primeiros meses do ano, o incremento foi de 6,2% em relação ao mesmo período de 2013, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Já no mercado de zero quilômetro, houve recuo de 0,65% em maio (277.924) frente a abril (279.744) e a queda no acumulado do ano alcança 5,19%.
Há muitas situações em que comprar um veículo usado ou seminovo mostra-se mais vantajoso, especialmente quando o condutor não pretende ficar muito tempo com o carro e está preocupado com a desvalorização. Mas um suposto bom negócio pode se transformar em uma tremenda dor de cabeça para quem não conhece a fundo a procedência do automóvel. As avarias podem ser pequenas, como retoques na pintura, mas podem esconder até mesmo atos criminosos,
como clonagens e peças
roubadas.
Para evitar transtornos para si mesmos e para os clientes, cada vez mais concessionárias e revendas de Londrina têm recorrido aos serviços de perícia veicular, que atestam a procedência e a originalidade das peças e componentes do veículo antes da compra. Roberto Imanishi, perito da empresa Terceira Visão, de Londrina, diz que 60% das lojas e concessionárias da cidade procuram o serviço antes de fechar negócios, já que a maioria das vendas de usados e seminovos se dá na base da troca.
Segundo Imanishi, itens de segurança, como pneus, setas e toda a sinalização do veículo, devem ser conferidos. Na parte mecânica, é essencial observar a condição dos freios, da suspensão e do motor. Além disso, a perícia observa a parte legal do veículo. "É fundamental verificar o número do veículo (do motor e do chassi), para ver se o carro é original e não um clone ou dublê; também tem muita gente que vende carro de leilão recuperado", relata Imanishi.
O perito destaca que não há ilegalidade em revender um carro recuperado de leilão, o problema ocorre quando o vendedor não informa ao potencial comprador que o veículo sofreu perda total, por exemplo. Nesses casos, a depreciação do veículo chega a 60%. "Também tem casos de pessoas que compram um carro batido por causa do documento, somem com ele e encomendam outro com as mesmas características; eles adulteram a numeração e ‘ressuscitam’ o carro", conta.

Clones
Segundo Imanishi, os clones de numeração são bem feitos e podem passar despercebidos até mesmo para vendedores experientes, mas com equipamentos especializados é possível identificar a fraude. Nesses casos, cabe ao perito reprovar o veículo na perícia e recomendar que o delito seja informado à polícia. Também existem casos em que o veículo foi batido e a parte danificada foi trocada por outra, formando uma "emenda".
"Isso é perigoso porque a estrutura do carro emendado deixa de oferecer a segurança do original", alerta Imanishi. Dos cerca de 300 veículos periciados mensalmente pela Terceira Visão, entre 40 e 50 são reprovados, casos em que são detectadas fraudes graves. Outros saem de lá aprovados com restrições, quando são identificadas pequenas falhas que não comprometem a segurança do proprietário.

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