Ver os caminhões da Fórmula Truck rasgando as retas dos autódromos brasileiros a mais de 230 km/h impressiona mesmo os mais acostumados com a velocidade nas pistas. Afinal, ver os brutos com mais de quatro toneladas em uma performance digna de carro de corrida é algo raro no mundo: há apenas duas categorias no mundo com este perfil: no Brasil e na Europa, com a Truck Européia.
E é a brasileira a categoria considerada mais competitiva e de maior importância no cenário do automobilismo mundial. ''Nosso caminhão só tem limite de velocidade na reta dos boxes, enquanto a européia está limitada a 160 km/h em todo o circuito'', diz Felipe Giaffone, atual campeão da Fórmula Truck, que compete com o caminhão Volkswagen Constellation. O paulista já testou um Truck europeu no começo deste ano, na França.
Tamanho desenvolvimento tecnológico na categoria brasileira tem uma boa explicação: o alto envolvimento das montadoras. ''A Fórmula Truck é uma ferramenta importante de divulgação da marca. Intensificamos nossas ações de forma significativa a partir de 2006, com a presença da família Constellation, e o apoio total da engenharia da fábrica no desenvolvimento dos veículos de competição'', explica Rodrigo Chaves, gerente de engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Tamanha dedicação teve resultado imediato na pista: o time oficial venceu os campeonatos de 2006, com Renato Martins, e 2007, com Felipe Giaffone.
A parceria da Volkswagen com seus fornecedores permitiu até mesmo o desenvolvimento de peças sob medida para a suspensão. Coube à engenharia da fábrica propor soluções e, aos fornecedores, desenvolvê-las, transformando idéias em realidade. ''Nossa performance na pista melhorou muito com o envolvimento da fábrica da Volkswagen em nosso time. A sinergia é positiva e forte dos dois lados'', comenta Martins, que, além de piloto, comanda a RM Competições, que prepara os caminhões Volkswagen Constellation de Martins, Giaffone, Débora Rodrigues e Valmir Benavides.
Tanta tecnologia desenvolvida nas pistas não ficará restrita aos autódromos. ''As soluções que encontramos nas pistas podem ser repassadas aos veículos que circularão nas ruas do Brasil e do Exterior, ainda mais com o alto grau de envolvimento de nossa fábrica com as corridas'', diz Chaves.
Entre estas soluções, está o desenvolvimento da injeção de combustível mais precisa e de sistemas de pós-tratamento de gases. Outras soluções já beneficiarão frotistas e transportadores autônomos usuários dos veículos da marca.
Durante as temporadas passadas, ainda com o VW 18.310, a Engenharia da Volkswagen redesenhou o sistema de refrigeração para assegurar durabilidade adequada mesmo em condições severas, como as altas temperaturas alcançadas durante as corridas. Todo o conhecimento obtido com esta experiência já foi levado para os veículos exportados à Arábia Saudita, país com condições geográficas rigorosas para o uso de veículos comerciais, com temperaturas que podem atingir 55 graus.

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