Pequenos devem ceder espaço aos médios
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sábado, 30 de agosto de 1997
Agência Estado 
DivulgaçãoO Volkswagen Polo Classic é uma das poucas opções de carros médiosO fôlego dos carros pequenos, que representam hoje cerca de 70% do mercado, deve diminuir em pouco mais de um ano. Em 1999 o brasileiro terá, finalmente, uma gama de carros médios tão variada como é a de carros populares hoje. O gerente de planejamento de vendas e marketing da Volkswagen, Luis Muraca, prevê que a oferta dos carros médios vai crescer 66% graças à chegada de novos modelos.
Hoje, os veículos populares têm 60% do mercado. Os médios somam menos de 20%. Muraca prevê que daqui a dois anos o segmento dos médios absorverá pelo menos 30% das vendas, enquanto o de populares deverá encolher um pouco.
Nos cálculos do executivo da Volkswagen, a quantidade de automóveis médios disponível no mercado passaria das atuais 27 mil unidades para 45 mil por mês. O mercado total de automóveis de passeio previsto para 1999 é de 1,8 milhão.
De janeiro a julho foram vendidos no Brasil 643.629 carros pequenos, incluindo os importados. O total foi 24,17% maior do que no mesmo período do ano passado. Já o segmento de médios somou 87.720 unidades, uma queda de 13,9% na comparação com 1996.
Há tempos que o consumidor brasileiro sente a falta de variedade no segmento de carros médios. A indústria nacional tem pouca oferta. São aqueles modelos que custam entre R$ 17 mil e R$ 20 mil. Faz pouco tempo que o mercado ganhou a versão atualizada do Escort, da Ford, e o Polo Classic, da Volkswagen.
Fora esses dois modelos, o mercado se ressente da falta de carros do segmento já que modelos como Voyage, Tipo, Logus e Verona deixaram de ser produzidos. Ultrapassados, esses modelos não conseguiram sobreviver num mercado no qual o Kadett, lançado em 1989, ainda resiste.
Com a redução da carga tributária no carro popular, a indústria automobilística concentrou esforços nesse segmento. Investiu mais nos modelos compactos. A faixa dos carros médios ficou desatualizada.
Com isso, quem não quer um carro simples demais, mas também não tem dinheiro para um luxuoso, acaba se voltando hoje para o carro pequeno mais caro. São as versões com motor mais potente do Gol, Palio, Fiesta, Ka e Corsa.
Esse segmento de mercado tende a encolher com a chegada das novidades programadas tanto pelas montadoras já instaladas como as que estão construindo fábricas no Brasil. Muraca, da Volkswagen, prevê que uma parte dos consumidores que compram as versões mais caras dos modelos compactos tende a migrar para o segmento dos novos médios.
Afinal, não faz mesmo sentido pagar R$ 17 mil, R$ 19 mil ou até mais de R$ 20 mil por um compacto. As versões mais sofisticadas de Fiesta, Ka, Palio, Corsa e Gol chegam hoje a essa faixa de preço. Parte das vendas desse tipo de versão é resultado da distorção de mercado, provocada pela falta de carros médios.


