Curitiba - Utilizada por moda ou segurança, a película que escurece os vidros dos automóveis faz sucesso entre os motoristas. Popularmente chamada de Insulfilm, que é, na verdade, o nome da marca pioneira do produto, ela foi desenvolvida para diminuir o calor – em alguns casos em até 60% – e aumentar o rendimento do ar condicionado no interior dos veículos.
Mas, aos poucos, conquistou fama como item de segurança que evitaria assaltos, já que os bandidos não se arriscariam sem ver quem está dentro dos carros. Com esse status – embora não comprovado -, somado ao medo crescente das grandes cidades brasileiras, tornou-se um dos acessórios automotivos mais comuns e vendidos em todo o País. Para se ter uma ideia, nove em cada dez clientes que vão até a JR Sound Car, em Curitiba, buscam o produto.
"A procura é muito grande, principalmente por causa da segurança", revela o proprietário da loja, Tarciso Soares Junior. Segundo ele, o mais vendido atualmente é o modelo semiblindado, também chamado de "antivandalismo", que, além de escurecer, evita a destruição total do vidro, impedindo o acesso ao interior do veículo.
"No caso de ser atingido por uma pedra, por exemplo, ele estilhaça mas fica preso na porta. Também é importante em uma batida, já que os passageiros ficam protegidos de cortes quando partes do vidro quebram e voam", explica Soares Junior.
Mas antes de instalar a película é preciso conhecer as orientações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) sobre o tema. A resolução 254/2007 do Conselho Nacional do Trânsito (Contran) especifica quais os níveis de transparência permitidos para cada vidro, levando em conta se eles interferem ou não na visibilidade do motorista. Não obedecer a lei é infração grave, com multa de R$ 127,69, cinco pontos na carteira e retenção do veículo até a regularização.
"No para-brisa, o índice é de 70% de transparência. Nos vidros das portas dianteiras, 75%. E no vidro traseiro, 28%", explica o inspetor-chefe da seção de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ricardo Schneider.
Os produtos que possuem transparência menor que 28% não são permitidos pela legislação, embora sejam comercializados. As películas refletivas são proibidas. Além de desrespeitar a lei, o motorista de um carro com películas mais escuras fica com percepção de obstáculos e de pedestres reduzida, principalmente à noite e em dias chuvosos. E pode atrapalhar outros motoristas.
"Às vezes, em um cruzamento, você está na pista da esquerda e um carro com película muito escura está na pista da direita. Você não consegue visualizar se há automóveis vindo em sua direção pois as películas dos vidros do carro ao lado se somam, tornando sua visão quase impossível", explica Schneider, que conta já ter recebido protestos de pessoas envolvidas em acidentes que relataram a situação. "A queixa é grande e prova que desrespeitar a lei pode colocar em risco muita gente", revela o inspetor.
O alerta é feito nas lojas, mas há gente que ignora. "Nós temos a resolução do Contran impressa e mostramos para o cliente. A maioria respeita e segue a lei, mas ainda tem gente que ignora e assume a responsabilidade", conta Soares Junior, da JR Sound Car.
A fiscalização, por enquanto, é feita apenas com base nos selos obrigatórios nos vidros, que indicam a transparência do acessório. Os luxímetros, medidores de transmitância luminosa, ainda não são utilizados no Paraná, segundo o inspetor da PRF Ricardo Schneider. Mas tão importante quanto evitar a multa é garantir uma visibilidade segura na hora de dirigir.

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