No trânsito urbano, entre carros, motos e caminhões, os pedestres são as vítimas mais frágeis. Desprotegidos contra máquinas muito mais fortes e blindadas, eles sofrem consequências muitas vezes irreversíveis e o que é muito pior: a morte.
Segundo estatísticas, a maioria das colisões envolvendo veículos e pedestres ocorrem em baixas velocidades. Isto se explica porque o motorista geralmente vê o pedestre a sua frente e tenta reduzir a velocidade. Na hora do impacto, o veículo já está numa velocidade muito menor da que vinha trafegando.
Portanto, 38% dos acidentes com pedestres ocorrem a uma velocidade do veículo de 8 km/h. Apenas 1% dos acidentes ocorrem a velocidades do veículo de 96 e 104 km/h.
No Paraná, segundo dados do Detran, os atropelamentos respondem por 13,56% dos acidentes no Estado. Em 2004, ocorreram 4.962 atropelamentos nas cidades e estradas do Paraná, sendo que 345 foram vítimas fatais. Como comparação, no mesmo período, houveram 16 mil acidentes envolvendo motos no Estado, porém o número de mortes de motociclistas foi menor: 222.
Para minimizar os riscos, os órgãos de trânsito deram direitos e deveres aos pedestres, que na maioria das vezes são desrespeitados. Nas ruas, o descaso é tanto que incomoda e atrapalha o trânsito. ''Os motoristas desconhecem que o pedestre tem a prioridade no trânsito. Ao pisar na rua, a preferência é dele e o motorista deve parar o carro. Mas isso, infelizmente, não acontece'', diz o técnico em telecomunicações Gilberto Berveglieri.
O representante Fernando de Moura também é da mesma opinião: ''Os motoristas não respeitam a sinalização, param sobre as faixas e abusam. Os motoqueiros então, abusam mais ainda'', afirma.
Do lado dos motoristas, a acusação recai sobre a desatenção dos pedestres no trânsito. ''A maioria não espera o sinal fechar e atravessam fora da faixa. Parece que desconhecem o perigo'', diz a operadora de caixa Edilene Jardim.
Para o advogado Fuad Bauab pedestres e motoristas são apenas reféns do trânsito. ''Na verdade, o que falta é mais sinalização, tanto para pedestres como para motoristas'', avalia citando um dos pontos críticos do trânsito londrinense, a rotatória da avenida Miguel Blasi, Celso Garcia Cida, Souza Naves e Minas Gerais. Neste local, o caos entre carros e pedestres é grande. ''Este é o único lugar de Londrina onde o pedestre só consegue atravessar a rua se o motorista parar por conta própria. A falta de sinalização é óbvia'', reclama o representante de medicamentos Fernando de Moura.
Para reduzir os riscos e tornar a convivência entre pedestres e veículos menos insana, a regra é única: educação e atenção. Para os que andam a pé, a calçada, longe do meio-fio, é o melhor lugar. Onde não houver calçada, o ideal é sempre caminhar à esquerda da via, em sentido contrário ao dos veículos. Mesmo caminhando na calçada, o pedestre deverá estar sempre atento, porque poderá encontrar locais para entrada e saída de veículos.
Ao atravessar uma pista de sentido único, o pedestre deve olhar atentamente na direção do fluxo de veículos e caminhar sem correr. É preciso também observar o fluxo de veículos no sentido contrário, pois alguns condutores desatentos, descuidados ou mesmo transgressores poderão estar dirigindo seu veículo em sentido oposto ao estabelecido para aquela pista. Além dos condutores de bicicletas.
Leis - O novo Código de Trânsito Brasileiro trouxe direitos e obrigações aos pedestres conquistaram. Deixar de dar preferência de passagem ao pedestre quando ele está na faixa, que não tenha concluído a travessia ou a portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes é infração gravíssima. Parar o automóvel na faixa de pedestre na mudança de sinal também incide em multa.
O artigo 170 é ainda mais específico: dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública é infração gravíssima. Além de pagar a multa, o infrator tem sua carteira suspensa, o veículo é retido e o documento de habilitação é recolhido pela autoridade de trânsito.

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