Pedágio - Más e boas notícias
A má notícia é que o setor que cuida das rodovias nacionais está falido. Os escândalos e acusações de corrupção no DNER são apenas evidências a mais de uma crise que se arrasta há anos.
Como o país sobrevive graças ao transporte rodoviário, a opção para sair dos buracos foi de privatizar a operação dos trechos de trafego mais intenso e, dentro de dois ou três anos, o Brasil terá uma das maiores redes de rodovias pedagiadas do mundo - cerca de 22.000 km. Vamos pagar para ir e vir. A boa notícia é que a qualidade das idas e vindas é melhor e as viagens estão ficando mais seguras.
Uma das tragédias de nossas rodovias é que a culpa é geralmente jogada em cima das vítimas que morrem. É uma mentira. As pontes mais antigas têm um guarda corpo ou cerquinha de concreto que não suportaria a investida de uma vaca louca, muito menos um ônibus cheio de torcedores. Um acidente de ônibus perto de uma ponte ou barranco significa um mergulho de alguns metros e a subsequente morte de dezenas de pessoas. É o tipo de acidente que parece nos telejornais, porém, a colocação de uma simples mureta de concreto (perfil New Jersey, ou guard rail é suficiente para eliminar o risco. Os buracos provocam mudanças bruscas de direção ou trancos os buracos matam gente. A falta de sinalização ou iluminação em cruzamentos ou travessias de pedestres mata gente. A falta de fiscalização mata gente.
O pedágio trouxe melhorias físicas e operacionais às rodovias em 1998. As curvas e pontes são mais protegidas (pelo menos em alguns trechos, por alguma razão as pontes antigas da ECOVIA continuam com as cerquinhas), há serviço 24 horas de atendimento de emergência (ambulância e resgate) para acidentados, há constante inspeção do pavimento e a sinalização apresenta qualidade boa e, como era esperada, esta melhoria se traduz em menos acidentes e mortes.
Os números de acidentes e mortes no Paraná em 1997 (antes da concessão) comparados com os dados 1999 e 2000, somado as informações das polícias Estadual e Federal mostram:
Ano Acidentes Mortes % Redução de Mortes (97) 1997 21130 1484
1999 18656 1196 19
2000 17954 1053 29
O número de mortos foi reduzido em quase 30%. Mais de 400 vidas por ano, graças aos serviços do pedágio especificamente o atendimento pré-hospitalar.
Mesmo assim, o número de mortes continua altíssimo, e uma das causas principais, conforme reconhece a Associação de Empresas Concessionárias, são os acidentes provocados pelo excesso de velocidade. As experiências dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul mostram que a fiscalização eletrônica de abusos de velocidade pode reduzir o número de mortes em 40%.
Uma boa notícia é que um simples e bem elaborado programa de fiscalização, talhado de acordo com os interesses dos usuários, nos trechos de perigo comprovado poderia salvar mais 400 vidas por ano nas rodovias paranaenses.
É fundamental ter um Cadastro de Acidentes informatizado para permitir a análise de dados. É fundamental ter os perfis de velocidade por trecho crítico (por hora e por dia) e é fundamental conhecer a opinião dos usuários em relação às questões de segurança, abusos de velocidade, embriaguez, etc. Com estas informações pode-se determinar o que fazer, onde aplicar as medidas e estimar a redução de fatalidades.
A má notícia é que, provavelmente, estas vidas não sejam salvas. Não por problemas de custo ou execução; mas por falta de interesse econômico, empenho político e visão. (continua)
Alan Cannell
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