Curitiba - Com a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos com motor entre 1.0 e 2.0 litros, em agosto passado, a fábrica da Renault do Brasil, sediada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, teve que adptar sua produção para atender a uma nova demanda do mercado. A participação do Clio 1.0 carro popular da Renault no mercado de veículos compactos caiu de 90% para 75%. Em compensação, a montadora teve que duplicar a produção da versão mais potente do Clio, o 1.6, que passou de 10% para 25% das vendas neste segmento.
A adaptação da Renault seguiu uma exigência sentida nacionalmente. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a redução do IPI dos veículos com motores mais potentes provocou queda na participação dos chamados modelos populares nas vendas no atacado em 2002. A parcela dos automóveis 1.0 no volume total comercializado ficou em 68,9%, pouco acima do índice verificado em 2000 (65,9%), e bem abaixo dos 74,6% verificados em 2001.
Antes da mudança no IPI, em julho, a fatia do segmento nas vendas era de 77%. Logo após a medida, em outubro, a parcela dos populares nas vendas alcançou o menor resultado desde 1996: 56,6%. As alíquotas do IPI baixaram de 10% para 9% no caso dos automóveis 1.0, e de 25% para 15% (gasolina) e para 13% (álcool) no segmento de veículos até 2.0 litros.
O gerente de marketing da área de produtos da Renault do Brasil, Alberto Neumman conta que as montadoras levaram, em média, 60 dias para conseguir abastecer as redes concessionárias com os carros 1.6. ''Houve uma euforia no mercado como um todo nos primeiros três meses após a redução dos preços dos veículos com motores entre 1.0 e 2.0 litros. Como as montadoras não tinham estoque suficiente de veículos com motor 1.6, elas tiveram que passar por uma adaptação industrial'', diz.
Apesar do mercado de 1.0 estar em alta antes da redução das alíquotas, a Renault não teve problemas de encalhe de veículos 1.0. A montadora costuma trabalhar com estoque suficiente para um mês de vendas. O que ocorreu, segundo ele, foi uma demora de cerca de um mês na redução dos preços dos carros na rede. ''Os carros em estoque já tinham recolhido os impostos e os preços tiveram que ser mantidos''. Em 2002, a montadora produziu 41,5 mil veículos Clio, sendo 37,2 mil 1.0 e 4,3 mil na versão 1.6.

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