Passat brasileiro circula no Iraque
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 2003
Mauricio Della Barba 
Em 1985 a Volkswagen do Brasil começava a exportar para o Iraque o Passat. Um acordo entre a montadora, o governo brasileiro e o daquele país, possibilitou o negócio. Tratava-se de um contrato curioso: o Iraque pagava à VW com petróleo, que era repassado para a Petrobrás em troca de cruzados. Mas, como toda operação triangular, está sujeita a percalços - em determinado momento a Petrobrás, com excedentes de petróleo, comunicou que queria sustar por algum tempo o negócio. A solução encontrada então pela fábrica, para não interromper uma linha de produção específica, foi passar a incluir na cota de veículos de suas concessionárias um certo número de Passat Iraque.
Os concessionários inicialmente não gostaram muito da idéia, mas o carro agradou os consumidores e tornou-se um sucesso de vendas. O modelo, construído a partir da versão Village, tinha como diferencial as quatro portas - item até então abominado pelos brasileiros - e cores chamativas, como vermelho e azul, além do interior com estofamento na cor vinho.
O motor era de 1.6 litro, chamado de MD 270 e anterior ao AP-600 usado na época no mercado interno, e o câmbio, em vez de cinco marchas (como no Village) trazia apenas quatro. Essa escolha foi feita para simplificar o envio de peças de reposição para o Iraque. Já a escolha dos pneus radiais têxteis no lugar dos radiais de aço, já há anos em uso no Brasil, se deveu a exigências do mercado iraquiano, assim como as combinações de cores.
Por dentro, o acabamento do Passat iraquiano era superior ao encontrado na versão brasileira. Trazia itens de conforto, como ar-condicionado e grossos carpetes. Na época, a Volkswagen trabalhava em conjunto com a Audi. Com isso muitas das peças do Passat têm o símbolo da Audi, principalmente o Iraquiano.
O painel era completo, bem semelhante aos do Passat GTS Pointer e Santana CD vendidos também na época. Todos os Passat Iraque vêm também com radiador de cobre, para facilitar a troca de calor, medida indispensável para um carro poder enfrentar a grande variação de temperatura que ocorre no deserto - de dia, muito calor; de noite, muito frio.
Tal cuidado levou o Passat brasileiro a fezer muito sucesso no Iraque. Não é à tôa, que muitas unidades (por pior estado que estejam) ainda possam ser vistas na TV ou em fotos circulando pelos escombros da guerra.


