Para as seguradoras que operam no Paraná, o ano de 2004 registrou uma diminuição de bens protegidos no ramo automóveis em comparação ao ano anterior. O mais recente balanço do Sindicato das Seguradoras do Paraná com base no Autoseg, que é um banco de dados consolidados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), demonstra que no ano passado somente 544.358 veículos estavam cobertos contra sinistros, enquanto em 2003 a frota segurada atingia 580.754 unidades, com uma queda percentual de 6,27 pontos.
A queda serviu para reduzir ainda mais a participação dos veículos com seguros na frota total do estado, que historicamente oscilava na casa dos 20%. Do total de 3.182.172 veículos circulando no Paraná, somente 17,1% possuíam seguro em 2004.
A causa para a retração na carteira está associada à falta de renovação das apólices pelos proprietários de veículos com mais de três anos de uso. Nem mesmo o aumento de 19,84% nas vendas de veículos 0 km contabilizado no estado, no mesmo período, foi suficiente para manter o nível de aquisição de seguro. ''Observamos uma saída maior de veículos que já estavam no sistema segurador do que aqueles que entraram via primeira apólice'', conta Ramiro Fernandes Dias, diretor do Sindiseg-PR.
Segundo o dirigente, o fator principal esteve associado ao preço do seguro, que registrou uma elevação média de 10%. ''E esta majoração ocorreu pelo aumento do valor do próprio bem segurado, que afeta o cálculo da apólice, e também pela quantidade de sinistros registrados no estado, um fator que é contabilizado pelas seguradoras para manter o equilíbrio financeiro da carteira'', explica.
Só para se ter uma idéia, o índice de sinistralidade (número de vezes que os sinistros ocorrem e seus valores) no Paraná em 2003 era de 58,33% e já em 2004 saltou para 65,36%. Ou seja, para cada R$ 100,00 arrecadados com a venda de seguros, R$ 65,36 foram devolvidos aos segurados na forma de indenizações. ''Se incluída a comissão de venda do seguro paga aos corretores e os custos administrativos e de comercialização, a carteira chegou a ser quase deficitária'', salienta Dias.
No ano passado, em todo o estado, as seguradoras pagaram R$ 324,98 milhões em indenizações contra R$ 245,9 milhões em 2003, com um acréscimo 32,16% nos desembolsos. O valor foi usado para cobrir 4.303 casos de furto ou roubo (aumento de 1,58% sobre 2003), 37.905 colisões de diferentes montas (aumento de 4,56%), 11.480 casos diversos (queda de 18%) e 172 incêndios (aumento de 15,89%).

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