Para não se perder
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domingo, 20 de janeiro de 2013
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Em décadas passadas, era comum chegar a uma cidade desconhecida e parar no primeiro posto de gasolina para perguntar "onde fica tal lugar". Isso se você não se perdesse pela estrada e conseguisse chegar até a cidade! Tudo isso ficou para trás com a popularização do GPS em inglês "Global Positioning System", ou "geoposicionamento por satélite", em português.
Criado em 1973 para utilização na aviação e na navegação marítima, ele fornece a um receptor móvel a posição exata em que o objeto está, sob qualquer condição atmosférica, em qualquer lugar do planeta desde que o aparelho esteja no campo de visão de pelo menos quatro satélites. Nos últimos anos, diversos modelos de veículos já vêm com o GPS integrado. Mas se seu carro não possui essa funcionalidade bastante prática, é possível instalar um e deixar os obsoletos guias de ruas no passado.
Na Furuta Car Áudio, a procura pelo aparelho aumenta bastante na época das férias. "São pessoas que vão viajar e buscam tranquilidade", avalia o consultor de vendas da loja, André Santos. As opções são variadas e dependem do uso que o motorista deseja para o dispositivo. Há modelos mais simples, a partir de R$ 239.
Com cobertura em mais de 1,4 mil cidades do País, o Multilaser Tracker tem ainda conexão USB para atualização de dados, bateria recarregável de lítio, planejamento de rotas mais eficientes e instrução de voz em português, além de alerta de radares fixos detalhe bastante procurado pelos motoristas. "Tem gente que nem busca tanto a facilidade de saber exatamente como chegar a um local, mas está preocupada em não ser multada", explica o consultor.
Um pouco mais caro R$ 399 o Multilaser Tracker 2 conta com outros itens, como câmera de ré, TV digital, software em vários idiomas, inclusão de endereços favoritos e leitor de e-book. "É um acessório que tem perfil de procura amplo, mas os taxistas, que circulam por toda a cidade, e os idosos, que querem mais facilidade na hora de dirigir, estão entre os que mais procuram pelo GPS", analisa Santos.
Modelos de R$ 219 a R$ 800 são encontrados na Stop Car. O vendedor Darci Berti conta que por lá a grande procura dos motoristas é por informação contra radares. Os modelos mais simples vêm com os alertas, mas ele sugere precaução no uso. "Em muitos pontos, o radar foi trocado de local. Então a informação está desatualizada e pode ser um risco para o motorista que é avisado sobre um ponto em que não existe mais o radar e passa direto em outros em que agora há a fiscalização", explica. Há também sistemas de som que vêm com GPS integrado e custam em torno de R$ 1,5 mil.
Outras opções são os aparelhos de GPS integrados aos smartphones, que funcionam exatamente igual aos aparelhos externos do geolocalizador. Os de sistema Android trabalham com base no Google Maps, que dá ainda sugestões de como está o tráfego nas principais rotas. Com isso, é possível traçar novos caminhos e fugir de congestionamentos. Já os do iPhone, no novo iOS6, têm um aplicativo próprio, lançado após a última atualização do software. Mas é preciso cautela no uso, já que recentemente recebeu diversas críticas dos usuários devido aos muitos erros de localização. Na Austrália, autoridades policiais chegaram a emitir alertas após alguns motoristas serem direcionados para fora de suas rotas, seguindo falhas de informação do conjunto de mapas.
Utilização
Taxista há 20 anos, Celso Moraes lembra bem a confusão dos tempos sem GPS. "Quando comecei, tinha que andar com o guia no para-sol, porque não conhecia a cidade e o passageiro queria chegar com pressa ao destino", recorda. Os anos de experiência resolveram, em partes, o problema, mas o GPS trouxe a segurança que faltava para os motoristas profissionais. "A cidade cresceu muito e hoje tem lugares mais difíceis de encontrar. Ele é uma mão na roda", comemora.
A realidade é outra para quem está começando agora na profissão. Colega de ponto de Moraes, Rodrigo Cardoso está na profissão há apenas dois anos. E afirma que não consegue imaginar o cotidiano sem o auxílio amigo do GPS. No início ele utilizava os mapas no telefone celular mas, há seis meses, decidiu comprar um aparelho exclusivo para o carro. "Além de chegar com facilidade ao destino, ele ajuda a encontrar um caminho mais prático e, em horários de rush, serve para traçar rotas que fogem do trânsito pesado. É um apoio e tanto para gente que precisa levar passageiro com pressa", opina.


