Peça chave para o funcionamento de qualquer carro, caminhonete ou caminhão, o motor pode ser comparado ao coração do homem. Mas, a exemplo do órgão vital, cuidados preventivos podem prolongar sua vida útil. Se um depende de uma alimentação balanceada para evitar problemas, como acúmulo de colesterol, o outro precisa de óleo de qualidade para não entupir os sistemas de lubrificação.
Por isso, se você escuta barulhos estranhos ou rajados, observou algum tipo de vazamento, perda de força na hora de ultrapassagens ou arranques e as regulagens já não resolvem mais, seu motor pode estar nas últimas. Outro indício comum é o aumento no consumo do combustível. Estas são as pistas que o professor de mecânica Alcides Aparecido Gonçalves, do Sistema Nacional de Aprendizagem da Industria (Senai), dá para aos motoristas que não entendem muito de mecânica ficarem atentos com seu veículo.
Segundo ele, dos cinco sistemas que compõem o motor e trabalham interligados, como o de alimentação (responsável pela condução do combustível até o pistão), lubrificação, conjunto móvel, ignição e arrefecimento, este último concentra a maioria dos problemas dos carros.
Os componentes do arrefecimento ficam ''escondidos'' num compartimento blindado do motor e a única maneira de saber se está na hora de trocar as peças é fazendo uma estimativa. Segundo Gonçalves, é no sistema de arrefecimento que acontecem as ''chamadas fervidas no motor'', ocasionadas por três motivos básicos: a falta de água, problemas nas mangueiras de abastecimento ou válvulas emperradas.
''Tudo está ligado à ausência de controle da temperatura que faz as peças dilatarem mais que o recomendável. O problema complica quando o pistão é afetado. É muito comum que ele gere o travamento total do motor após emperrar repentinamente'', aponta.
Depois de acontecido, não tem outra alternativa senão fazer a retífica. Como existem muitos preconceitos e mitos sobre os motores ''refeitos'', Gonçalves explica que na hora de consertar o estrago não adianta economizar demais. O especialista afirma que apelar para as gambiarras pode deixar o ''molho mais caro que o peixe''.
''Se a retificadora não fizer o trabalho bem feito o desgaste poderá ser prematuro. E isso envolve um procedimento chamado brunimento, que consiste em devolver a rugosidade e o ângulo de cruzamento da peça que fica acoplada ao bloco. Isso é tão importante quanto o período de duração do motor, que se estava previsto para aguentar 400 mil quilômetros, pode não durar 100 mil'', explica.
Como o sistema de arrefecimento é muito complexo, o gasto costuma ser bem maior que nos outros componentes. Ele cita a troca do pistão, bronzina, virabrequim, e consequentemente, das bombas de óleo, água, mangueiras e válvulas termostáticas como procedimentos básicos. Também existe a necessidade de fazer a retífica do bloco do motor, dependendo do caso.
''Todos esses elementos devem ser substituídos para ficar a contento. Também tem que fazer uma boa regulagem do motor e revisar velas, filtro de ar, regulagem do carburador ou limpezas de bico'', completa. Mas o proprietário deve também colocar na balança os prós e os contras em se refazer o motor. Se ficar muito caro, pode não compensar e aí será mais interessante trocar o carro.
Dentre as desvantagens que um motor refeito pode apresentar é o aumento de consumo, que pode ser justificado por uma retífica incompleta. Ele explica que normalmente as peças novas deixam o motor ''mais justo'', fato que aumenta seu peso e consequentemente exige mais da injeção de combustível e o gasto do óleo. Porém, se ultrapassados 5 mil quilômetros e o consumo não baixar, pode haver alguma coisa errada.
''Uma boa retífica de motor custa até R$ 8 mil. Não é bom fazer muita economia, porque preços muito baixos podem refletir falta de qualidade. Milagre ninguém faz. Confiança ainda é o principal quando se fala em mecânica'', alerta.

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