São Paulo - A previsão de algumas montadoras é de que o carro elétrico só chegará ao Brasil, em maior escala, a partir de 2020. Uma vez disponível, porém, poderá representar 30% da venda de carros novos num prazo de cinco anos. Até lá, o uso será restrito a nichos específicos, como os modelos da Fiat usados por concessionárias de energia.
  Em parceria com a usina de Itaipu, a Fiat brasileira criou uma tecnologia usada atualmente em 21 modelos Palio e Weekend movidos a eletricidade. Até julho de 2010 serão 50 veículos, informa Leornardo Cavaliere, supervisor de inovação e veículos especiais da montadora.
  O objetivo é ter uma evolução no desempenho do veículo para que futuramente a tecnologia possa ser usada em grande escala, diz Cavaliere. O kit elétrico usado no veículo, composto de motor, bateria e conversor de energia, é importado da Suíça, o que encarece o produto. Um Palio Weekend normal custa cerca de R$ 45 mil, enquanto o elétrico não sai por menos de R$ 145 mil.
  O modelo da Fiat também é abastecido em tomadas de 100 ou 220 volts e oito horas de carga são suficientes para rodar 120 quilômetros. O custo de um quilômetro rodado com gasolina é de R$ 0,25. Com álcool, custa R$ 0,18 e, com energia, R$ 0,05.
  Para Cavalieri, se 5% da frota de carros novos for movida a eletricidade, o País não terá nenhum risco de falta de energia, principalmente se a recarga for feita no período noturno. Eude Oliveira, especialista na área de eletroeletrônica da Ford do Brasil, diz que a filial acompanha os trabalhos de desenvolvimento da matriz, inclusive enviando técnicos aos EUA. ‘‘Todos os estudos envolvendo tecnologias alternativas têm nossa parceria e estudos para avaliar se são ou não viáveis de aplicação aqui, em parte por causa do custo.’’
  Oliveira acredita que a mudança na forma de abastecer o automóvel é grande nos caso dos consumidores americanos, acostumados ao uso irrestrito da gasolina. Já os brasileiros, segundo ele, estão mais preparados porque o País tem uma diversidade maior ao dispor dos modelos flex - abastecidos com álcool ou gasolina -, do gás natural e do diesel e biodiesel, nos casos dos veículos pesados.
  Na opinião do diretor da Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE) e responsável pelo grupo de estudos de veículos elétricos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Luiz Artur Pecorelli Peres, o Brasil precisa mudar sua legislação automotiva para viabilizar o carro elétrico.
  Esse tipo de veículo é classificado como ‘‘outros’’, o que lhe impõe alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) maiores do que as aplicadas para modelos a álcool, gasolina e gás veicular.
  A própria Uerj está preparando uma proposta a ser levada ao governo para mudar ‘‘essa legislação obsoleta’’, diz Peres. Ele também defende incentivos para esse tipo de veículo.‘‘O Brasil tem condições de desenvolver veículos elétricos próprios e até de exportar, sem depender da tecnologia de fora’’, afirma Peres, que estuda o tema há 20 anos. (C.S./A.E.)

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