Há muitos anos carro era coisa de homem. Tanto que, quem dirigia na família quase sempre eram os pais. Às mães cabia organizar os filhos no banco de trás e fazer com que eles se comportassem. Mas isso mudou muito.
Hoje as mulheres escolhem que carro querem, dão palpite na compra do carro da família e quando são elas que vão comprar o próprio veículo, os vendedores sofrem com tantas perguntas. Elas querem saber tudo, nos mínimos detalhes.
Mulher, diferente de homem, não compra pela potência do carro e pelo status que o mesmo vai proporcionar. Claro que, um carro com um bom motor, é bom, mas a beleza e ergonomia do modelo é o que mais conta. O tamanho também é importante. Um carro pequeno é mais fácil de estacionar, além do que, é mais charmoso que uma ‘‘banheira’’. Porta-objetos então, é fundamental. Mulher tem bastante coisa para carregar, seja a mamadeira do filho, o carregador do celular, a agenda de telefones ou então o kit de maquiagem mais o batom.
A cor do automóvel é outro item importante. Por incrível que pareça tem mulher que gosta de carro que não contraste com a roupa, por isso o prata e o preto são os mais procurados pela motorista. ‘‘O interior do carro deve ser compatível com a roupa. Elas gostam que o conjunto fique bem. Pensando nisso, a Ford tem feito carros com o interior claro, neutro’’, explica Ronivaldo Besbati, vendedor da Slavieiro, revendada Ford em Curitiba.
Besbati conta também que algumas mudanças foram feitas nos veículos pensando exclusivamente na mulher. ‘‘Algum tempo atrás, não existia carros com espelho no quebra-sol do motorista, vinha apenas no lado do passageiro, porque quem mais dirigia era o homem e a mulher andava do lado. Hoje não. Os carros saem de fábrica com espelho para facilitar a vida das mulheres. Outro cuidado é com o volante. Eles não têm tanto aro, o que evita que a mulher possa quebrar uma unha em uma manobra mais rápida’’, explica.
Djalma Rodrigues da Cruz, vendedor da Corujão Veículos, concessionária Volkswagen de Curitiba, tem a mesma opinião de Besbati. Ele diz que a mulher procura um carro prático, que lhe ofereça o máximo de comodidade. ‘‘O homem prefere muito mais um carro com bom motor, mesmo que seja mais rústico, já a mulher não. Ela prefere muito mais o ar-condicionado do que um carro potente’’, avalia.
O gerente de marketing de carros da Ford, Natan Vieira, diz que as várias adaptações feitas nos automóveis têm muito a ver com a opinião da motorista, e que hoje, o homem não decide mais sozinho que carro vai comprar. ‘‘Pesquisas de mercado revelaram que o poder de decisão de compra da mulher aumentou bastante. Por isso, os veículos precisaram se adaptar ao novo público consumidor e passaram a ser desenvolvidos considerando também o quê a motorista quer, não pensando mais somente no homem’’, observa.
‘‘O extintor de incêndio foi transferido da parte inferior do banco do motorista para debaixo do banco do acompanhante, com a finalidade de evitar danos às meias de seda. Outra mudança ocorreu nas maçanetas de abertura das portas. Elas foram redesenhadas para deixarem de ser tão grosseiras, evitando assim, que a motorista quebre a unha na hora que for abrir a porta’’, exemplifica Vieira.

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