Pára-choque diminui danos em choques com caminhão
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domingo, 24 de novembro de 2002
Agência Estado 
Um novo pára-choque traseiro de caminhão, capaz de absorver o impacto da colisão de um automóvel e preservar a cabine, foi testado com sucesso por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O quarto protótipo de uma série que vem sendo desenvolvida há seis anos traz como novidade um dispositivo que garante a absorção do impacto do veículo.
O modelo foi testado na semana passada no campo de provas Cruz Alta, da General Motors, em Indaiatuba. A empresa cedeu o automóvel e a Mercedes Benz, o caminhão, onde foi instalado o pára-choque. Após a colisão, a dianteira do carro ficou destruída, mas os bonecos colocados na cabine não foram atingidos. A traseira do caminhão, também ficou danificada.
Segundo o professor da Unicamp e coordenador do projeto, Antônio Celso Fonseca de Arruda, os pesquisadores criaram uma segunda lâmina no pára-choque e entre as duas foram colocados 16 tubos de aço de 20 centímetros de comprimento e 8 de diâmetro. ''Imagine uma lata de cerveja. Os tubos têm a função de se deformar, como uma lata de alumínio amassada pelas extremidades, e absorver o impacto'', explicou.
O preço, porém, é mais que o dobro de um equipamento comum. O novo modelo custa R$ 350, contra R$ 150 dos atuais. ''No Brasil, ninguém gasta com a segurança dos outros se não for obrigado por lei'', lamentou o professor. Ele acrescentou que três representantes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) assistiram ao teste e receberam detalhes do projeto para análise.
No próximo mês, lembrou o professor, o Contran deverá aprovar novas regras sobre pára-choques de caminhões. Na Europa, o pára-choque traseiro pode adentrar até 40 centímetros abaixo da carroceria do caminhão, no caso de colisão. No Brasil, ficou definido que ele pode ser instalado até 40 centímetros sob a carroceria, o que provoca o efeito guilhotina porque a carroceria invade o pára-brisa do automóvel, atingindo motorista e passageiro.
Segundo Arruda, a frota nacional de caminhões é de 1,8 milhão, em um total de 28 milhões de veículos. O efeito guilhotina, conforme o professor, mata cerca de 15 mil pessoas por ano no País.


