No ano passado mais de 117 mil pessoas tiraram a primeira habilitação no Paraná. E todas elas precisaram passar por algum CFC para conseguir a tão sonhada carteira. Mas será que para quem nunca acelerou antes um carro o teste no Detran é mais difícil do que para aqueles que já têm uma intimidade maior com automóveis?
O militar Kleiton Beilner, de 21 anos, aprendeu a dirigir em um CFC. Na semana passada ele fez o teste e passou. Essa foi a segunda vez que tentou tirar a carteira. Ele acredita que a falta de cumplicidade com a embreagem, que o fez reprovar na primeira vez, já está superada. ‘‘Fiz mais duas horas de aulas práticas e deram resultado’’, comenta.
Beilner conta também que fez o teste com confiança e que o fato de ter aprendido a dirigir somente em um CFC não o atrapalhou em nada. ‘‘Fiquei um pouco nervoso, mas nada que me prejudicasse. Durante as aulas o instrutor sempre fica corrigindo o que você está fazendo de errado’’, explica.
A assistente contábil Veronice Pereira Lima, de 34 anos, já não teve a mesma sorte que Beilner. Ela fez o teste no mesmo dia que o militar e, como ele, aprendeu tudo em um CFC, só que não passou. Ela acha que a falta de experiência no trânsito lhe prejudicou bastante. ‘‘Fiquei muito nervosa. Se eu já dirigisse estaria mais tranquila e teria passado, porque me sentia preparada para isso’’, acredita.
Agora Veronice, que havia feito as 15 horas de aulas práticas determinadas pela lei, vai praticar um pouco mais antes de fazer de novo o teste. Ela vai fazer mais uma aula no trânsito. ‘‘A primeira vez é difícil de passar. Só praticando que se aprende. Preciso dirigir mais para ficar mais tranquila’’, diz.
Enquanto Veronice foi para casa chateada, o estudante Edson Ribas Machado, de 19 anos, saiu do Detran feliz da vida. Ele que aprendeu a dirigir com o pai quando tinha 14 anos, passou no teste de moto e de carro. ‘‘Estava com receio de não conseguir tirar carteira de carro. O que as pessoas iriam falar?’’, diz, explicando que a cobrança dos amigos quando já se sabe dirigir é muito maior.
Machado admite que, nesses quatro anos que dirige sem carteira, adquiriu vários vícios, como manter o pé na embreagem. Segundo ele, para passar no teste, precisou aprender a maneira certa no CFC. ‘‘Mas agora que eu passei vou voltar com os vícios, já estou acostumado’’, revela.

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