'Pão de forma' da Volkswagen é o carro mais antigo ainda em produção no Brasil
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sábado, 15 de março de 2003
Erika Zanon e Agência Estado 
Há 50 anos, a Kombi começava a circular pelas ruas do País. De 1953 quando os primeiros exemplares do veículo alemão da Volkswagen foram importados pela Brasmotor até hoje, cerca 1,3 milhão dessas peruas ganharam as ruas. O sucesso das primeiras vendas foi tanto que no dia 23 de março de 1953, a Volkswagen abriu no País uma filial, data que será comemorada no próximo dia 23 com a presença do metalúrgico, hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Deste total de Kombis vendidas no País, 1.223.915 foram produzidas aqui, de 1957, quando as primeiras com componentes nacionais deixaram a fábrica Anchieta da empresa em São Paulo, até o fim do mês passado.
O Brasil é hoje o único país onde esse pão de forma sobre rodas sobrevive e, melhor para a montadora alemã: não enfrenta concorrentes. Nem outros modelos mais modernos da própria Volkswagen, como o Caravelle, conseguiram desbancar a velha Kombi da liderança desse segmento de carro combinado, de passeio e trabalho.
O sucesso da Kombi é tanto que todo mês 1,4 mil exemplares deixam o pátio da montadora e têm venda garantida. O brasileiro, diz o diretor de Vendas e Marketing da Volkswagen, Paulo Sérgio Kakinoff, ''é louco por uma Kombi e nem chega a dar bola para o que dizem os críticos desse veículo quanto à sua aerodinâmica e design''.
Mas o que leva um carro feio e desengonçado, praticamente um dinossauro mecânico, na opinião da maioria dos analistas do setor automobilístico, a resistir quase intacto por meio século? Para Kakinoff, o que explica o sucesso da Kombi é sua facilidade de adaptação para diferentes atividades, de mini-caminhão de transporte de carga a carreto de mudanças, de mini-carreta de ar refrigerado a microônibus para transportes de passageiros, de carro funerário e de bombeiros a carro de lanches e pastéis.
''Eu costumo dizer que a Kombi é o menor capital inicial para quem quer abrir uma empresa'', diz Kakinoff e complementa: ''Tanto isso é verdade que quando tentamos lançar um modelo mais moderno, com ar refrigerado, vidros escuros, a Kombi Carat em 1997, as vendas não decolaram.'' O que o usuário espera de uma Kombi, diz Kakinoff, é que seja um carro barato, com acabamento simples e versátil, capaz de com mil quilos carregar outros mil quilos. ''É isso o que faz a diferença e o que levou a Kombi a ser incorporada ao dia-a-dia do País''.
O comerciante Antônio Furuta comprou sua primeira Kombi em 1969, quando começou a utilizar o veículo para o transporte de mercadorias da mercearia Irmãos Furuta, instalada no Mercadão Shangri-lá, na zona oeste de Londrina. Desde aquele ano, ele já trocou oito vezes o carro, apenas para ficar com um modelo mais novo, mas nunca dispensou a perua. ''Tenho caminhonete e caminhão grande para o transporte de mercadorias, mas não deixo a Kombi de jeito nenhum'', garantiu o comerciante.
Furuta contou que os problemas mecânicos que o carro apresentou até agora não foram muito complicados. ''A gente também cuida bastante do veículo, pois é a nossa ferramenta de trabalho'', lembrou. No momento, ele tem uma Kombi ano 2002 e afirma que o veículo tornou-se insdispensável para o seu negócio.
Mas quem pensa que a Kombi serve apenas para transportar frutas, verduras e flores, engana-se. A criatividade levou o eletricista mecânico Walter Porfírio Alves a montar uma auto mecânica ambulante, 24 horas. O carro é todo equipado e recebeu uma pintura aerógrafica, para chamar a atenção. Por dentro, o veículo traz armários e gavetas, repletas de ferramentas.
''Atendo todos os tipos de ocorrência, desde pane mecânica, pneu furado até falta de combustível'', falou. O mecânico considera a Kombi, o veículo ideal para esse trabalho, pois tem bastante espaço e não dá muitos problemas mecânicos. Ele contou que teve a idéia de montar um S.O.S mecânico ambulante há cinco anos e primeiro fez uma pesquisa para analisar qual seria o interesse das pessoas.
''Foi difícil montar o carro para trabalhar principalmente por causa do custo'', confessou. O mecânico gastou mais de R$ 4 mil para equipar a parte interna do veículo e avisa: ''Paguei R$ 4 mil quando comprei a Kombi e hoje e se fosse pra vender do jeito que está, iria pedir uns R$ 40 mil''.


