Paixão sem limites
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O verbo é simples: customizar ou, na linguagem mais popular, deixar ao gosto do cliente. A verdade é que não há limites no universo dos apaixonados por motos. As criações mirabolantes surpreendem e mostram que a criatividade pode ir longe para quem sonha em ter um modelo exclusivo e único.
''Isso é praticamente uma terapia'', garante o comerciante Fábio Luiz Smaniotto. Pela segunda vez, em menos de cinco anos, ele está reestilizando a sua moto que originalmente era uma Shadow 600, ano 1999, e custou R$ 13 mil. De lá pra cá, o proprietário já investiu mais de R$ 7 mil. Do modelo original só resta o quadro e o motor.''É uma questão de gosto, e de saber que ninguém vai ter uma moto igual a minha'', justifica o motociclista.
Quem pensa que ele sossegou, se engana. Smaniotto já está providenciando as novas mudanças para o veículo. Os paralamas serão trocados por outros mais curtos, as rodas ficarão mais largas e o guidão também será diferente. As peças substituídas, segundo o rapaz, serão vendidas para os amigos. ''Prefiro ter um carro básico, mas a moto tem que ser única'', acrescenta.
Com uma roda feita sob medida, o farol de uma moto e o paralama de outra, o microempresário Walmir Massaro criou o próprio modelo. Da original, uma CB 450 de 1984, não sobrou praticamente nada. ''Transformei tudo, o banco, o guidão, as rodas, o motor, só restou a bengala e uma parte do chassi'', fala entusiasmado. Para ele, reestilizar uma moto é como uma paixão: ''não tem explicação''. E não tem preço também, pois o protótipo está avaliado em R$ 20 mil.
Já a moto do sócio de Massaro, Cleber Kudlake, nasceu do ''zero''. Foram dois anos de criação e desenvolvimento de cada detalhe do modelo que se tornou uma moto custom. ''São muitos detalhes e o prazer é inexplicável'', declara Kudlake. O protótipo, que recebeu o motor de uma Shadow 600, também custou mais de R$ 20 mil. Mas dinheiro não é mesmo o problema, a maior dificuldade de um motociclista é ser compreendido. Segundo eles, apenas as pessoas quem têm moto é que conseguem entender porque vale a pena tantos cuidados e investimentos no veículo.
O engenheiro mecânico Jorge Henrique Borges, por exemplo, acabou de comprar uma Virago 1.100 no valor de R$ 20 mil. Os mais desentendidos diriam, na certa, que ele está bastante satisfeito com a aquisição. Ledo engano. Borges já está com a moto estacionada na oficina para começar as mudanças. ''É um hobby, as adaptações são caras, mas o gosto compensa'', afirma. A customização vai começar pela aplicação de uma bolha (pára-brisa) e a colocação de um guidão mais alto.
Borges explica que todo o investimento é para possa ter mais conforto para dirigir, além de deixar o veículo com a cara do dono. ''Eu respeito o projeto original. Mas é sempre bom dar uma mudadinha'', acrescenta. O motociclista, que adora viajar, diz que depois das adaptações a tarefa vai ser bem mais gostosa e confortável.


