Paixão de pai para filho
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sábado, 06 de abril de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Arapongas - No universo do antigomobilismo, nem só de automóveis vivem os colecionadores. Sensação de liberdade e fácil locomoção no trânsito urbano são fatores levados em conta pelos aficionados ao adquirir e zelar por uma moto. Os modelos também variam: há quem prefira as de poucas cilindradas e outros que querem modelos envenenados mas, independente de qual seja a escolha, as motocicletas não devem nada quando o assunto é história.
O que dizer, por exemplo, de uma Honda CG 1980? Modelo que representa os primórdios da produção daquela que é hoje a moto mais vendida do País. Ou ainda de uma Amazonas 1981, um clássico tipicamente nacional. Relíquias assim são ostentadas pelo representante cormercial André Michelin e pelo pintor automotivo, Sérgio Luis Knopik, respectivamente.
Ambos moradores de Arapongas, eles são enfáticos em dizer que a maior vantagem de possuir uma motocicleta antiga, além do prazer da pilotagem, é o fato dos veículos chamarem a atenção por onde passam. "Quando vou aos encontros de motos e carros antigos, posso parar minha CG junto a uma Harley (Davidson) e tenho certeza que ela chamará mais atenção por ser antiga", diz Michelin. "Não tem como não notar uma motocicleta dessas", argumenta Knopik, sobre sua Amazonas.
Pertencer à mesma cidade e ser notado mesmo em meio a motos mais modernas, não são as únicas semelhanças entre os dois colecionadores. Suas histórias têm também forte influência da família, sobretudo da figura paterna.
Michelin conta que como o pai, Orites Michelin, já havia trabalhado com motocicletas, ele cresceu apaixonado por esse meio de transporte. "Ele tem uma CG 1979 e eu disse que se conseguíssemos uma outra eu iria restaurar para andarmos juntos", lembra.
Infelizmente não foi possível encontrar uma CG exatamente do mesmo ano de fabricação, mas mesmo assim os Michelin puderam realizar o sonho de rodar juntos por aí.
Cerca de sete meses após a compra, a motocicleta do representante comercial já estava pronta. O método utilizado para tornar isso possível é curioso. "Eu não sabia muito de mecânica, mas tendo a do meu pai como modelo, fomos montando peça a peça como se fosse um quebra-cabeça e restauramos a moto inteira", conta, Michelin, cheio de orgulho, exibindo o veículo de cor azul.
Todo o tempo que passaram juntos para colocar a CG para funcionar e o dinheiro investido - pararam de contabilizar quando viram que já tinham gastado cerca de R$ 3 mil - serviram para fortalecer os laços familiares. "Sempre tivemos uma boa relação, mas sinto que me aproximei ainda mais do meu pai após a restauração com certeza", garante o representante comercial.
Se antes não tinha o domínio da mecânica, hoje Michelin a traz na ponta da língua. "Ela é uma 12 volts, quatro marchas, motor movido a gasolina, com pneus aro 18. A mecânica é simples e não há muito o que dizer, mas o prazer de andar em uma é sem igual", enfatiza.
Presente de pai
O pintor automotivo Sérgio Luis Knopik, por sua vez, possui uma Amazonas 1981 que herdou do pai, o motorista aposentado Antônio Knopik. "Meu pai sempre foi apaixonado por moto e passou isso para os filhos. Me presenteou com a Amazonas e pretendo deixá-la na família para sempre", garante.
A história da marca compreende o final dos anos 1970 e meados dos anos 1980. Ficou conhecida inicialmente como moto Volks, por utilizar peças de veículos Volkswagen. Foi o jeitinho brasileiro para produzir motos de alta cilindrada. "Outra coisa que faz dela diferente é o câmbio é sincronizado", relata o pintor.
Knopik, conhecido em meio aos motociclistas como Kiko, atua hoje como vice-presidente do Moto Amigos de Arapongas e revela se divertir ao ouvir as histórias envolvendo seu pai a bordo da Amazonas, que hoje cuida com tanto carinho. "Preservando a motocicleta, não cuido apenas de uma raridade, mas também mantenho viva a história da minha família."


