Paixão à primeira vista
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 2010
Giancarlo Franquini<br> Especial para a FOLHA 
Maringá Por onde passa a Ford F-100, ano 1961, chama a atenção pelo seu tamanho, por suas formas e pela restauração. O carro é considerado uma raridade pelo proprietário José Donizete Dias, que tem uma oficina mecânica em Paranavaí (Região Noroeste). O modelo chamado de Station Wagon ficou conhecido no Brasil por rabecão e ele diz não ter notícias de que um outro veículo semelhante esteja rodando.
Comumente, esses veículos foram usados para transporte de cargas, viaturas e também por funerárias. O diferencial do veículo de Dias é que só teriam sido fabricados cerca de mil no País, todos no ano de 61. Esse modelo foi fabricado especialmente para atender a Polícia Rodoviária Federal no Estado de São Paulo. A diferença entre o meu e os outros é que tem três portas e vidros por todos os lados, explica. Em geral, esse modelo foi fabricado apenas com duas portas, para o motorista, o passageiro e uma porta atrás.
Dias conta que sempre foi apaixonado por carros antigos, especialmente os fabricados entre as décadas de 30 e 60. No entanto, no caso da F-100 Station Wagon pode ser chamada de paixão à primeira vista. Ele conheceu o modelo folhando uma revista americana. A partir daí começou a pesquisar sobre o carro. Depois de algum tempo, descobriu que os veículos foram fabricados por pouco tempo no Brasil, mas era raro encontrar algum rodando. Mesmo assim, a paixão pelo modelo foi tamanha, que decidiu comprar uma a qualquer custo.
Tirei xérox da revista e levava para os encontros de carros antigos para ver se alguém conhecia uma F-100 desse modelo. Depois de algum tempo, uma pessoa me disse que conhecia uma no interior do Estado de São Paulo, lembra o mecânico. Depois de encontrar o carro, foram mais quatro anos de ansiedade até comprá-lo. Nesse período, o veículo passou pela mão de outras quatro pessoas e durante todo esse tempo ele ficou no seu rastro. No final, acabou trocando uma Rural Willis totalmente restaurada pela F-100, que não saia do lugar.
Foi uma luta. Quando eu tinha dinheiro, o dono que estava com a F-100 não me vendia, quando estava sem dinheiro, ele me oferecia. Foi duro, mas no final acabei trocando em outro carro e ainda voltei um dinheiro. Era um sonho meu, confessa ele. Depois de anos atrás do veículo, então trouxe a F-100 de reboque de Minas Gerais até Paranavaí no ano de 2000. Foi quando começou uma nova fase: a restauração. Só depois de quatro anos e meio trabalhando na F-100, ele conseguiu dar a primeira volta
na rua.
Hoje, o veículo é usado quase que diariamente e todas as viagens que faz. O carro tem capacidade para levar oito pessoas e graças as modificações feitas nos últimos anos, tem ar-condicionado, direção hidráulica, bancos em couro, DVD e até rodas aro 20. Como sempre viaja com o veículo, Dias trocou o motor original V8 gasolina, por um diesel. É um carro de um modelo que sou apaixonado e ainda consigo levar toda família, amigos e ainda a bagagem, completa.
No entanto, mesmo com o carro em perfeitas condições, ele brinca que sempre tem alguma coisa que quer modificar. É como se fosse uma terapia. No seu caso, o veículo acabou mudando sua vida. Ele, que tinha uma oficina mecânica, passou a se dedicar somente à restauração de carros e caminhonetes antigos.


