Fabricantes de equipamentos eletrônicos e fornecedores de novas tecnologias para veículos estão aproveitando sua capacidade instalada no Brasil para direcionar parte da produção a clientes nos Estados Unidos, Europa e Japão. O baixo poder aquisitivo do mercado consumidor interno, responsável pela concentração de 70% das vendas de veículos no segmento dos ‘‘populares’’, é a principal razão apontada pelas empresas para justificar o interesse nas exportações.
‘‘A indústria precisa desenvolver e produzir tecnologias basicamente para exportação’’, ressaltou Horst Bergmann, presidente da SAE (Society of Automotive Engineering) Brasil 2000 – IX Congresso e Exposição Internacional de Tecnologia da Mobilidade, que será realizado de terça a quinta-feira desta semana, no International Trade Mart, em São Paulo. O executivo, diretor mundial da Mercedes-Benz para o Desenvolvimento de Vans, confirmou que o comércio com o mercado externo é um dos ‘‘pontos principais’’ do Congresso da SAE.
A Mercedes terá como destaque no evento o motor 460, que será produzido na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a partir de 2001, para atender ao mercado de caminhões dos Estados Unidos. O motor vai equipar os caminhões pesados da Freightliner, empresa pertencente ao grupo DaimlerChrysler e líder do mercado norte-americano no segmento.
As exportações devem gerar à subsidiária brasileira receitas de US$ 100 milhões por ano. A Mercedes investiu R$ 65 milhões na nova linha de produção, que terá capacidade inicial para 4 mil motores para caminhões pesados no próximo ano. A partir de 2003, a produção deverá ser ampliada para 12 mil unidades por ano.
A MWM Motores Diesel vai apresentar no congresso o motor Sprint, que será exportado para a Volkswagen, na Alemanha. A Bosch estará oferecendo aos seus clientes do Brasil o common-rail, um novo sistema de injeção para motores a diesel. De acordo com a empresa, a tecnologia, que será apresentada no Congresso, permite aos fabricantes nacionais de motores e montadoras de caminhões exportar para países da Europa que exigem o cumprimento do Euro III, código de normas contra emissão de poluentes que entrou em vigor este ano.
A Delphi, maior fabricante mundial de sistemas automotivos, com 12 fábricas em funcionamento no Brasil, garante que está preparada para trazer as tecnologias de Internet ao mercado brasileiro, desde que haja encomendas. Cerca de 15% da produção da empresa no Brasil será destinada às exportações para Europa e Estados Unidos este ano, o equivalente a US$ 50 milhões.

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