Os 60 anos da Volks
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sábado, 01 de junho de 2013
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Curitiba - O pai que tinha um fusquinha, o avô a sua Variant, a mudança transportada numa Kombi. Muitas pessoas tiveram passagens como essas durante a vida e, em comum, um símbolo redondo formado por duas grandes letras, uma dentro da outra: VW. A dupla de consoantes que resume o nome Volkswagen conseguiu, de uma forma ou outra, fazer parte do cotidiano de muita gente nas últimas décadas. Não é para menos: a marca, uma das mais famosas no Brasil, completou 60 anos em março. E em tanto tempo assim, coleciona histórias por todos os lados.
O sucesso da marca é explícito em números: foram mais de 20 milhões de carros produzidos no país, outros três milhões fabricados e exportados, mais de 20 modelos desenvolvidos no Brasil. "A empresa se tornou a maior produtora e maior exportadora de veículos do Brasil, com uma linha que faz parte da vida e do coração dos brasileiros, como é o caso do Gol, que há 26 anos consecutivos é o carro mais vendido por aqui", declarou o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall.
Se o Gol é o mais vendido, o Fusca é, de longe, o mais carismático. E popular. O que pertencia ao pai do designer Ronaldo Gallo, de 31 anos, é um desses exemplos. Foi nele que Gallo aprendeu a dirigir nas estradas de terra da fazenda, quando era garoto. Ele tirou a carteira de motorista, foi crescendo, mas o mesmo Fusca o acompanha em todos os momentos até hoje. "É difícil deixá-lo de fora da minha história. Teve uma época em que eu precisava de dinheiro e preferi vender o carro mais novo e ficar com ele. É um membro da família", admite. A paixão é tão grande que ele e alguns amigos formaram, em 2007, um grupo de admiradores do Fusca em Curitiba, chamado Rusted Live. "Juntamos os donos de Fusca e carros que tenham relação com ele. O primeiro Gol, por exemplo, tem o mesmo motor do Fusca. Então, faz parte também, além de kombis, brasílias, variants", explica Gallo.
Na vida do projetista Rafael Castilhos, de 28 anos, o Fusca entrou porque era barato. "Precisava de um carro e o custo era baixo, por isso escolhi", conta. O que ele não imaginava era que a opção iria se transformar em paixão. "Fui fazendo amizades por causa do carro, aí passei a conhecer detalhes, descobrindo diferenças e me apaixonei", recorda Castilhos, que considera o Fusca um dos maiores coadjuvantes na vida dos brasileiros. "Por toda parte você encontra alguém que teve ou que a família já teve. Por ser um carro barato, pequeno, acredito que o número de pessoas que viveram passagens boas e ruins ao lado de um Volks seja imenso em todo o país", analisa o projetista, que agora também é dono de uma Kombi. "Escolhi porque a relação deles é grande", revela.
A Variant, outro clássico da marca, está fortemente ligada à vida do estudante Bruno Mathozo, de 24 anos. O avô comprou uma vermelha, com apenas um ano de uso, em 1971. O carro atravessou décadas, rodou ruas e estradas e esteve presente em momentos importantes de toda a família. Há quatro anos, ficou de presente para o neto, quando o avô faleceu. "Desde pequeno saía com ela e meu vô para passear, então você pega um amor pelo carro", define Mathozo, que não aceita vender o carro de jeito algum. "Ela é tudo na minha vida", resume.


