A Mercedes-Benz começou 2012 com uma nova geração de caminhões e ônibus no mercado. Todos equipados com novas tecnologias para redução de emissão de gases poluentes, uma exigência da legislação que entrou em vigor neste ano para todos os fabricantes de veículos pesados no Brasil, o Proconve P-7.
Antes dos novos veículos chegarem até a linha de produção, porém, centenas de especialistas trabalharam duro para desenvolver as tecnologias e conceitos necessários ao projeto. São os funcionários do Centro de Desenvolvimento Tecnológico, instalado na fábrica de veículos pesados da Mercedes, em São Bernardo do Campo (SP), e que teve suas portas abertas para a imprensa na última semana. A reportagem da FOLHA participou da visita e conheceu as principais fases do processo de desenvolvimento dos veículos.
De acordo com o diretor de comunicação corporativa da Mercedes-Benz Brasil, Mario Laffitte, nunca um grupo de fora havia feito uma visita tão detalhada ao CDT, que obviamente, já guardou muitos segredos da marca alemã. Com uma estrutura de 18 mil metros quadrados de área construída, o centro de desenvolvimento conta com 650 funcionários, entre engenheiros, técnicos e outros especialistas.
''Somos hoje um dos pólos da rede mundial de desenvolvimento da Daimler Trucks'', afirma Walter Sladek, diretor de Desenvolvimento de Caminhões e Agregados da Mercedes-Benz do Brasil''. ''Estamos no mesmo nível das unidades similares da Daimler na Alemanha, Estados Unidos, Japão e Turquia, realizando trabalhos globais e desenvolvendo projetos que podem ser lançados em outros países'', ressalta.
O desenvolvimento dos veículos começa na área de Estilo, onde verdadeiros artistas dão asas à imaginação e desenham novos conceitos de veículos em seus tablets. As esquetes, então, recebem formas mais reais, com a utilização de softwares de última geração e que contam com recursos em 3D.
Os modelos viram realidade com uma espécie de impressora, que transfere as formas para o gesso. Chega a vez, então, dos modeladores mostrarem todo seu talento para lapidar as formas nos mínimos detalhes. Para isso, utilizam uma massa especial, chamada de Clay, uma espécie de argila, importada da Alemanha. ''Cada detalhe é examinado para chegar a uma forma perfeita'', ressalta o gerente de desenvolvimento de Cabinas, Silvio Paschoal.
Além das formas, é preciso também pensar muito bem nas cores, que, de acordo com Paschoal, são capitaneadas pelas tendências da moda de vestuário. ''Os modelos são apresentados para aprovação'', explica Paschoal.
Mas antes de montar os primeiro protótipos, os engenheiros da área de Cabinas também utilizam a tencologia virtual. O objetivo é simular espaços e fazer a previsão do desempenho dinâmico e estrutural dos modelos, além de minimizar riscos de desenvolvimento e evitar retrabalho.
Na própria tela do computador, os especialistas conseguem calcular fatores importantes - como o tombamento lateral -, simular performance do modelo e até mesmo fazer avaliações dos mínimos detalhes de um veículo, a exemplo do comportamento dos sistemas de eixo. ''Antes de chegar ao 'hardware' fazemos análises virtuais. Já imaginou ter que tombar um veículo para ver qual inclinação é necessária para isso acontecer? Aqui, a gente calcula isso antes'', declara Daniel Spinelli, gerente de desenvolvimento de ônibus.
Feitos todos os cálculos e projeções, chega a hora de criar os primeiros protótipos e testar sua funcionalidade e durabilidade. A área de Cabinas é também responsável pelo desenvolvimento da cabina completa (estrutura bruta, suspensão e acabamento), ergonomia e novos materiais e conceitos para aplicações específicas no mercado brasileiro.
- O jornalista viajou a São Bernardo do Campo a convite da Mercedes-Benz

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