Olha o Gol!
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sábado, 07 de março de 2015
Marcos Martins<br> Especial para a FOLHA 
Se há uma palavra que pode resumir o Gol é sucesso. Um dos veículos há mais tempo no mercado brasileiro são 34 anos , é o primeiro e único carro desenvolvido no País a ultrapassar a marca de 5 milhões de unidades produzidas até hoje. É pioneiro também como modelo da Volkswagen do Brasil em mercados internacionais, sendo o mais exportado da história nacional: são mais de 1 milhão de unidades vendidas para mais de 50 países. Em toda sua trajetória, ele já teve oito diferentes versões, diversas séries especiais como as das Copas do Mundo e apelidos marcantes para os fãs, como Gol "chaleira" e Gol "bola".
A história do veículo começou em 1980, quando a Volkswagen buscava um concorrente para carros de outras marcas considerados modernos na época, como o Fiat 147 e o Chevrolet Chevette. Como os modelos desenvolvidos na Volkswagen alemã não atendiam as necessidades do mercado brasileiro, a fábrica daqui passou a desenhar o novo projeto. A inspiração veio do Volkswagen Scirocco e o nome aprofundou a tendência que a montadora tinha em dar aos veículos nomes associados a esportes, como Polo e Golf. O lançamento homenageou a paixão do brasileiro pelo futebol.
O Gol é destaque também devido a diversas inovações tecnológicas da indústria automotiva nacional no passar dos anos. Foi o primeiro carro brasileiro a utilizar o sistema de injeção eletrônica de combustível no modelo GTi 2.0, no final de 1988; o primeiro nacional com motor 1.0 e 16 válvulas, em 1997; e o pioneiro com motor flex, em 2003.
Apaixonado pelo veículo, o administrador de empresas Rogério Carvalho, de 46 anos, conta que a história dele com o Gol começou em 1987, quando comprou o primeiro carro. "Era um Gol 1981, um dos primeiros modelos fabricados, de um vizinho que tinha tirado ele zero. Então eu já lembrava dele desde que ele tinha saído da concessionária porque chamou muito a atenção na rua. Nem imaginava que tempos depois eu seria o dono dele", afirma.
Foram dez anos para cima e para baixo com o hoje xodó. "Passamos muita coisa juntos. Nesse tempo teve muitas festas da faculdade, viagens, namoradas. Foi com ele que eu conheci minha esposa. Aí eu fui associando essas experiências com a companhia do carro e ele passou a ser especial para mim, a ter um valor sentimental", revela.
Quando foi trocar de carro, Carvalho nem cogitou se desfazer do "chaleira verde", nome dado por causa da cor do automóvel e do apelido dos primeiros modelos, que faziam um barulho semelhante ao de uma chaleira. "Os amigos começaram a chamar por esse nome e pegou. Aí em 1997 eu comprei um outro carro, mas o Gol ficou na garagem. Acabei restaurando algumas coisas com o passar do tempo e hoje só levo para feiras e encontros", explica.
Segundo o corretor de automóveis Pedro Vicente, o sucesso do Gol está ligado às características do veículo e uma "sintonia" com o brasileiro. "Primeiro começa pelo nome, que lembra futebol, uma paixão nacional. E depois, ele é um carro bastante versátil, tem versões para todos os bolsos e uma revenda sempre forte. É difícil um Gol encalhar no pátio de seminovos de uma loja, por exemplo. Por isso acredito que ele faça tanto sucesso e vá continuar fazendo, é quase um patrimônio do País", avalia.


