Oficinas se associam para sobreviverem
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Agência Folha 
Pequenas e médias oficinas mecânicas começam a se organizar em redes independentes para enfrentar a concorrência das concessionárias e das franquias internacionais que chegam ao País.
As duas primeiras redes - elas ainda não têm nome definido - serão lançadas no final de outubro, durante o Salão do Automóvel de São Paulo. A primeira vai reunir cerca de cem oficinas mecânicas na Grande São Paulo e em algumas cidades do interior do Estado. São empresas com oito funcionários, em média, 500 metros quadrados de área, mecânicos com certificado ASE - o mesmo exigido de mecânicos nos EUA - , e equipamentos sofisticados para efetuar reparos em veículos nacionais e importados. A outra rede terá cerca de 25 oficinas especializadas em retífica de motores, com sede em diversos Estados do país. O objetivo é reduzir custos e utilizar a capacidade ociosa das empresas do setor, que hoje é de 30% a 40% , diz Alvino Pereira Jr., sócio da oficina Afinauto, de São Paulo, um dos coordenadores da rede de oficinas mecânicas.
O setor de reparação de veículos faz planos para o futuro com base na previsão de um crescimento nos negócios de até 60% no ano que vem, por conta do início da inspeção veicular obrigatória.
A partir de 99, todos os carros licenciados no País terão de ser revisados a cada dois anos. Serão examinados mais de 200 itens - sistema elétrico, freios, direção, suspensão, emissão de gases etc. Hoje a revisão é voluntária. Pesquisas mostram que 70% dos veículos circulam com problema de freios, por exemplo, diz Pereira.
Com uma frota estimada em 18 milhões de veículos, idade média de dez anos e manutenção precária, o Brasil passa a ser altamente atrativo para as empresas que fazem revisão e troca de peças de carros. De olho nesse mercado estão também as redes de concessionárias dos fabricantes de veículos. Com a redução das margens de lucro na venda dos carros novos, elas começam a investir na área de serviços de oficina para aumentar o faturamento.
Ricardo Neves de Oliveira, diretor da empresa de consultoria Boucinhas & Campos e consultor do Sindirepa (sindicato das oficinas independentes), é um dos responsáveis pelo projeto das redes independentes que começam a ser implantadas no País.
Oliveira conta que as redes independentes pretendem seguir o exemplo de experiências bem-sucedidas já em andamento nos EUA, Espanha e Portugal. Não se trata de uma franquia, explica Oliveira. As oficinas mantêm sua identidade, mas haverá uma padronização da fachada e de uniformes dos funcionários, por exemplo.
As oficinas vão dividir despesas de publicidade e administração e terão mais poder de fogo na compra de peças e equipamentos. Para gerir a rede, as oficinas associadas vão criar uma empresa, que por enquanto, é chamada de central de negócios. Serão contratados executivos para cuidar da publicidade, da administração e das compras da marca. Segundo os cálculos de Oliveira, o investimento inicial para entrar na rede é de R$ 8 mil a R$ 12 mil e a previsão de aumento de faturamento no curto e médio prazo é de 20%. A formação de redes é a saída para as oficinas independentes, diz Alvino, da Afinauto. Quem ficar de fora terá dificuldade para sobreviver.


