Oficina: uma escolha cruel
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sábado, 11 de junho de 2005
Mauricio Della Barba 
Concessionária ou oficina independente? Esta é a pergunta que todo motorista faz na hora de consertar seu carro. De um lado, um atendimento primoroso aliado a uma garantia de qualidade do serviço prestado. De outro, maior agilidade e preços mais em conta para peças e mão-de-obra.
Cada segmento defende seus valores. ''Nas oficinas independentes, além do menor custo, há uma relação mais pessoal com o cliente, uma agilidade dos serviços e uma menor burocratização do atendimento'', defende Evaldo Kosters, presidente do Sindicato das Empresas Reparadoras de Veículos do Paraná (Sindirepa-PR).
Porém, se por um lado as oficinas independentes conseguem atrair os clientes graças aos preços, o medo de ser enganado e a dúvida da eficiência do serviço, somam pontos para as concessionárias autorizadas, que zelam pela qualidade do serviço prestado, utilizando mão-de-obra qualificada e peças originais.
''Essa questão do preço é um tabu. Hoje em dia, muitos serviços e peças comercializadas nas concessionárias são mais atrativos do que o mercado paralelo'', rebate Angelo Lourenço Capelesso, gerente de serviços da Marajó Veículos, revenda Fiat em Londrina. Segundo Capelesso, as vantagens das concessionárias frente as oficinas independentes são grandes. ''A primeira diferença está no procedimento do serviço, que é o recomendado por quem mais entende do carro, ou seja, o próprio fabricante'', explica.
Nas concessionárias, a garantia de todo serviço prestado é válido por um ano e tem abrangência nacional. ''Se o carro quebrar em outra cidade, ou em outro Estado, o cliente não fica na mão e não gasta a mais por isso'', diz Capellesso. Outros pontos fortes passam pela estrutura oferecida, como equipamentos sofisticados e a mão-de-obra altamente capacitada. ''Todo mês, os funcionários passam por treinamentos e orientações específicas referendadas por engenheiros e técnicos de várias áreas da montadora'', enfatiza Capelesso.
Se a escolha é difícil, o melhor é saber avaliar corretamente o estabelecimento. O presidente do Sindirepa-PR orienta a busca da 'fidelização' por parte dos consumidores. ''O primeiro passo para ganhar e ter confiança é preciso realizar o serviço sempre na mesma oficina. É algo como médico, não se pode ficar trocando a todo o momento'', compara.
Kosters enumera cinco pontos importantes a serem verificados pelos motoristas diante de uma oficina independente: tradição, organização, ferramental, certificação e atendimento. ''São características de quem se preocupa com o cliente e a qualidade do serviço prestado'', diz.
Para saber se o estabelecimento é tradicional e bem conceituado, basta seguir as recomendações e indicações feitas por amigos, parentes e conhecidos. Na parte organizacional, ambiente limpo, profissionais uniformizados e ferramentas arrumadas contam pontos.
Certificados como IQA (Instituto de Qualidade Automotiva) e o ASE (sigla para Excelência de Serviço Automotivo, em inglês) também são garantias de que o estabelecimento conta com mão-de-obra qualificada e treinada. O IQA certifica a oficina, se há equipamentos necessários e se há tecnologia. Já o ASE é conferido ao reparador, que deve ser aprovado em teste aplicado pela entidade.
''Em termos de ferramental, a dica é visual. Para mexer em um sistema de injeção, por exemplo, apenas um multímetro não basta. É preciso ter equipamento compatível com a complexidade do serviço'', explica Kosters.
Peça sempre um orçamento, exija as peças trocadas e um termo de garantia do serviço. Quando o orçamento estiver pronto, um funcionário deverá explicar tudo o que precisa ser feito no carro, esclarecendo todas as dúvidas que você possa ter. ''O consumidor não pode ter receio de questionar e procurar entender o que será feito no carro e quais os procedimentos do serviço'', diz o presidente do Sindirepa-PR.
Lembre-se de checar se o estabelecimento não é clandestino e, por meio do CNPJ, confira se a empresa não possui processos no Procon local. Ao término do serviço, a oficina deverá apresentar as peças substituídas, além de fornecer a nota fiscal discriminando todos os serviços realizados no veículo. O consumidor tem direito a uma garantia legal de, no mínimo, 90 dias para qualquer serviço executado, mesmo que a oficina estabeleça um período menor.


