Oficina tem desde Romi-Isetta até triciclo
A chácara-oficina de Vaz é um recanto de saudosismo associada a uma dose de futurismo, capaz de abrigar desde um Romi-Isetta até o projeto de um triciclo que vai ter visual de um Fórmula 1.
O Romi-Isetta 1957 foi resgatado por um magistrado londrinense de um galinheiro em uma cidade do interior de São Paulo. O mecânico fez a restauração do estranho carrinho que teve apenas três mil unidades fabricadas no Brasil entre 1955 e 1958 e substituiu o motor original de 250 cilindradas da italiana Iso por um de 500 cilindradas da Honda, com a diferença de providenciar uma caixa de reversão e fazer com que o veículo também tenha cinco velocidades de marcha a ré.
É uma raridade, o primeiro modelo de carro fabricado no Brasil, o único circulando em Londrina e está todo original, com exceção do motor e do freio. Até os pneus, de aro 10, providenciamos importando do Uruguai. O proprietário ficou tão entusiasmado que trouxe de volta para melhorar o desempenho, comenta. Ele também se diverte ao contar que fez sucesso nas vezes que foi para a faculdade utilizando, para testar, o carro que tem apenas uma porta na parte dianteira. Não tem quem não queira tirar uma foto.
O Romi-Isetta foi fabricado no Brasil pela indústria Romi, de Santa Bárbara do Oeste (SP), que comprou os direitos de produção da italiana Iso. Mas a produção não decolou por questões econômicas e políticas: multinacionais chegaram ao país e passaram a produzir carros, como o Fusca, que não custavam muito mais caro que o Romi-Isetta, e pressionaram pelo fim da produção da fábrica do interior paulista.
Ao lado da antiquidade, um chassi, produzido pelo próprio Marcio, de um triciclo que deve começar a rodar até dezembro. Ao contrário de outros triciclos, esse vai ter motor dianteiro, cromado e exposto. Para dar estabilidade e evitar que empine pela traseira pesada, como acontece com outros triciclos, explica o mecânico. A carenagem vai imitar um Fórmula 1 da escuderia Ferrari. As rodas serão de 10 polegadas e aro 15. O motor 4.1 automático a álcool do Opala deve garantir velocidade máxima de 220 km/h.
O passeio, para quem gosta de carro, pode ir longe na chácara de Vaz. Ele trabalha também na restauração de um Ford Custom 1951 e conta os segredos do jipe Willis de seu filho e companheiro de trabalho, Leonardo, refeito em fibra de vidro e dotado de motor de Silverado, com suspensão exclusiva e mais alta. Tem ainda uma D20 que será transformada em jipe e um caminhão GMC 1951 que vai virar um guincho plataforma. Somos apenas dois, mas envolvemos o trabalho de outros profissionais, como os que trabalham em fundições e borracharias para atender à nossa demanda, finaliza. (W.S.)





