O risco da utilização de pára-brisa temperado
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de outubro de 2007
Da Editoria 
Mesmo com a regulamentação de novas normas para a segurança dos veículos, como a Resolução 216/06 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de dezembro do ano passado, que fixa exigências de segurança e visibilidade, ainda circulam no Brasil milhares de veículos com pára-brisas temperados, o que pode colocar em risco a vida de muitos motoristas e passageiros.
Segundo estimativas da Saint-Gobain Sekurit, um dos principais fabricantes nacionais de vidros automotivos, hoje ainda são instalados mais de 1.000 pára-brisas temperados por mês. ''Um dos motivos para isso é que o consumidor ou proprietário do veículo desconhece a proibição de uso do produto e, no momento da substituição, muitas vezes opta pelo componente mais barato, sem saber que o mesmo está fora das especificações da legislação'', declarou Manuel Rezende Corrêa, diretor da Saint-Gobain Sekurit.
Uma vez instalado, é difícil notar se o pára-brisa é temperado ou laminado. Uma das maneiras de checar se o produto é laminado é ver se tem a banda degradé interna, pois o temperado possui um filme aplicado por dentro. Outra dica é a logomarca do fabricante impressa, item de segurança obrigatório como em pneus e nos cintos de segurança.
''A recente resolução do Contran representou um grande avanço para definir quando um pára-brisa danificado não cumpre a sua função na totalidade, mas é obrigatório que seja de vidro laminado'', explica Manuel Corrêa. A frota nacional é imensa e a aplicação do pára-brisa temperado ainda é fator de preocupação para a Saint-Gobain Sekurit, devido aos riscos que representa para os usuários.
Recentemente, uma fábrica da região metropolitana do Rio de Janeiro foi fechada e teve apreendidos 426 pára-brisas de vidro temperado, portanto irregulares, entre outros equipamentos. Essas práticas ilegais colocam em risco a vida dos motoristas que optam por pára-brisas mais baratos, ignorando as questões de segurança.
Mais resistente
Diversos acidentes e colisões, ou até pedras atiradas em veículos com pára-brisa laminado, demonstraram que esse tipo de vidro apresenta enorme resistência a impactos e atua como elemento do sistema de retenção, complementando as funções dos cintos de segurança e airbags.
Um desses episódios aconteceu recentemente em Natal, no Rio Grande do Norte. O pára-brisa laminado do Chevrolet Celta resistiu ao impacto de um paralelepípedo atirado em uma rodovia próxima à cidade. Além de evitar possíveis ferimentos nos ocupantes, permitiu ao motorista continuar a viagem.
O empresário Wanderley José Barros regressava à sua residência e relatou que dirigia à velocidade aproximada de 80 km/h quando se assustou com o forte impacto da pedra, que foi retida pelo pára-brisa. De acordo com Wanderley, o vidro afundou cerca de cinco centímetros e ficou acentuadamente trincado, mas conteve a pedra e impediu que atingisse o rosto de sua esposa, no banco do acompanhante.
O pára-brisa laminado faz parte da estrutura da carroceria e também protege os usuários, da chuva, vento, ruído e partículas suspensas, além de servir como manta protetora que impede que os ocupantes do veículo sejam arremessados para fora, em caso de acidentes. ''Considerando todas as funções de segurança do pára-brisa laminado, é importante que ele seja original de fábrica e instalado em oficina credenciada'', conclui Manuel Rezende.


