O rico universo dos carros em miniatura
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sábado, 21 de agosto de 2010
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Porto Alegre (RS) - Não é tão difícil encontrar por aí colecionadores de carros antigos. Os modelos com peças originais são os mais cultuados e, por isso, valem mais. Porém, o investimento é alto e não é todo mundo que dispõe de recursos financeiros e espaço para sustentar uma coleção de qualidade. Mas isso não é um obstáculo para os amantes de máquinas automotoras. Milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, colecionam carros em miniatura, em especial os da marca Hot Wheels, da norte-americana Mattel.
Desde 1968 a empresa investe na criação de modelos exclusivos, com pinturas e temas diversos. Os brasileiros estão em segundo no ranking dos que mais compram carrinhos da marca, atrás apenas dos Estados Unidos. No último final de semana foi realizada a 3 Convenção Nacional de Colecionadores de Hot Wheels, em Porto Alegre (RS).
Os 80 expositores apresentaram diversas coleções, com raridades da marca. Para entrar no universo dos fãs, é necessário entender que existem os modelos de Hot Wheels de varejo, facilmente encontrados em lojas de departamento e supermercados, ao preço médio de R$ 4,99. Mas outros modelos têm lançamento exclusivo em alguns países, com poucas cópias. Isso faz o preço e a procura por eles aumentar bastante. E essas são as principais estrelas do evento.
Durante a convenção foram lançados três modelos comercializados somente durante o evento, ao preço de R$ 29,90. Agora eles passam a valer mais, pois são encontrados apenas na mão de colecionadores. Quem pensa que colecionar carros em miniatura é uma mania barata, pode estar enganado. A Mattel calcula que existam aproximadamente 15 milhões de colecionadores espalhados pelo mundo, cada um com 1,5 mil unidades em média. Existem aficionados com coleções de mais de 10 mil itens, que chegam a valer quase R$ 2 milhões.
Brasileiros
O gerente comercial gaúcho Luciano Hansen começou a comprar modelos Hot Wheels em 2005. Hoje, a coleção de 3 mil carros é avaliada em R$ 70 mil. Ele iniciou com modelos básicos e hoje gosta especialmente de Fuscas e dragsters. ''Nunca fui muito de futebol. Minha paixão mesmo são os carros'', conta.
Hansen explica que alguns itens fazem com que o brinquedo passe a valer mais. Um exemplo são os pneus de borracha e as séries limitadas. Existem conversíveis customizados que também habitam o sonho dos colecionadores. Ele próprio possui raridades, como um Fusca de 1997, com réplica de pintura de Miró, que na época custou R$ 5 e hoje vale R$ 100. O preço também pode subir caso o produto ainda esteja armazenado dentro da cartela com as informações técnicas.
Em casa, Hansen mantém espaço reservado para todas as miniaturas da rica coleção. A esposa também incentiva a compra das miniaturas, mas tem algumas exigências. ''Quando alguém vai lá em casa, ela pede que eu mostre os carrinhos apenas após o jantar, senão ninguém mais quer comer''.
O designer curitibano Fernando Morelli iniciou a coleção em 2007. Hoje ele tem 1,5 mil carros diferentes. Ele expôs modelos cultuados, como o Chevy Panel 1955 em uma versão exclusiva, avaliado em R$ 100. Séries limitadas, com pinturas detalhadas, são o ponto alto na coleção de Morelli. Ele possui um Dairy Delivery, lançado no Japão em 2007, que vale R$ 300.
O mercado de Hot Wheels para colecionadores adultos cresce a cada dia. E a Mattel lança modelos destinados a esse público. Pela primeira vez a marca fabricou um carro nacional na linha mundial, o Volkswagen SP2. Os fãs brasileiros já estão de olho no modelo.
A coleção do administrador Flávio Bortolato tem destaque especial aos caminhões. Um dos modelos mais curiosos é a réplica de uma carreta de uma marca de refrigerante, lançado apenas no Japão. Ele conseguiu comprar a miniatura em um site de leilão. Foi através do mesmo método que ele conseguiu adquirir o modelo Ferrari Enzo, vendido somente em uma loja de brinquedos específica dos Estados Unidos. O carrinho foi comprado por R$ 250. ''Se me oferecerem R$ 5 mil nele eu não vendo'', revela.
Alguns modelos lançados em um ano e vendidos por R$ 30 chegam a valer R$ 100 no ano seguinte. Isso porque são fabricados poucos modelos e os amantes das miniaturas evitam ao máximo vender as raridades. ''Ninguém quer colecionar coisa fácil. Essa é a chave'', diz Bortolato. Os modelos mais disputados possuem ainda selo holográfico e número de série. O carro é de brinquedo, mas o assunto é levado bastante a sério.
O jornalista viajou a convite da Mattel


