O restaurador de Mavericks
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sábado, 09 de outubro de 2010
Renato Oliveira<BR> Reportagem Local 
Ele é fissurado no Maverick. Na garagem são três modelos restaurados. Tem um amarelo, um vermelho e outro branco. Depois de reformar um a um, a intenção do cardiologista Maurício Antônio da Silva agora é ''presenteá-los'' com a chancela de placa preta. Surgida na infância, a paixão pelo antigomobilismo se aflorou quando o pai ganhou um Fusca 1967 numa rifa.
Maurício adquiriu o primeiro exemplar em 1998. Na época, conheceu um colecionador que tinha um Opala e resolveu investir na antiga paixão. Dos modelos da mesma época, ele acredita que o ''Mavecão'' é o ''que tem o melhor apelo de muscle car'' (carros musculosos ou sedã). Além disso, são compactos e esportivos. ''Sem contar os 200 cavalos de potência. São esses pequenos detalhes que fascinam'', adiciona.
Silva é um colecionador de carros antigos dedicado ao Maverick. Se alguém precisar de alguma informação ou até mesmo uma peça, ele sabe ou tem na improvisada oficina dentro de casa. Quando procurava por souvenirs sobre o modelo da Ford na internet, comprou um manual do departamento técnico e de serviços da montadora que serve como guia de consulta.
''Por ele (manual) é possível saber como o carro saiu da fábrica. Aqui só não tem as características, de modelo a modelo. Isso encontro em revistas de época para complementar meu conhecimento'', assinala.
Essa paixão pelo modelo mais emblemático da Ford rendeu um arsenal de peças invejável. ''Mas eu nunca vendo nenhuma. Quando percebo que a pessoa gosta ou coleciona carros eu presenteio'', assinala ele que vê no antigomobilismo uma espécie de confraria.
Restaurador
A primeira reforma que encampou foi a do Maverick amarelo, modelo Super de 6 cilindros, de 1973. ''É o mais raro e meu xodó'', sublinha. Outra relíquia da coleção é o Maverick modelo Gran Turismo (GT) V8, datado de 1975. ''Esse é o mais cobiçado entre entendidos e colecionadores. Esse não tem muito apelo esportivo, mas foi um dos primeiros a chegar nas ruas. Dificilmente tem outro igual'', reconhece.
''Minha paixão não é pelo fato de ter, mas pelo ato de pegar o carro condenado e reestaurar uma peça histórica. É o prazer da recuperação'', reflete.
Mas a primeira ''criança'' (como se refere o colecionador aos carros) a ser condecorada com a placa preta será o Maverick Vermelho GT, ano 1975. Foram três anos na oficina. Recém-restaurado, ele acredita que o valor agregado por fazer parte da história é inestimável. O gasto com a restauração, nos seus cálculos, passou dos R$ 25 mil.
''Trata-se do vírus da ferrugem. Uns se contaminam mais e outros menos. Mas todos percebem sua presença. É mais que um hobby. É a melhor fórmula contra a rotina. Pela complexidade de todos os elementos envolvidos, você se torna uma esponja que no início absorve todas as informações para, depois, trazer outra vez a vida à um automóvel antigo'', finaliza.


