Cascavel - A paixão por carros antigos da marca Willys motivou um empresário de Palotina (96 km ao norte de Cascavel) a investir em uma empresa de recuperação de veículos dessa e de outras marcas. Adriano André Spessatto, 38 anos, é sócio-proprietário do Castelo do Willys, uma empresa especializada na marca que funcionou no Brasil entre 1957 e 1983 e que deixou uma legião de admiradores e saudosistas espalhados por todo o País. Avesso a badalações, ele não gosta de ser fotografado e alega questões de segurança familiar para não posar ao lado de suas raridades.
Spessatto também é fundador do Jeep Clube Palotina, que hoje conta com 38 membros. A instituição promove ações sociais direcionadas à comunidade local, como os tradicionais ''Jeep Papai Noel'' e o ''Passeio da Apae''. Os jipeiros atuam também como parceiros da Defesa Civil local, entre outras iniciativas. Atualmente, o empresário tem mais de 20 carros da marca em sua coleção particular, que fica dentro do depósito de sua oficina. A maior parte está em ótimo em estado de conservação e há requintes de preciosismo como manuais de proprietários originais e peças de publicidade datadas dos anos 50 e 60.
''Desde a juventude despertei interesse por veículos 4x4, quando finalmente em 2000 adquiri um Jeep CJ5 militar ano 1965. O estado do utilitário demandava uma restauração emergencial e foi a partir daí que percebi a dificuldade em encontrar peças originais e mão de obra qualificada. Diversas outras pessoas que conheci e que também eram aficionadas por veículos tracionados também relataram a mesma dificuldade'', lembra Spessatto. E foi nesse período que surgiu a ideia de criar uma empresa voltada para atender esse público, com o fornecimento de peças, acessórios e mão de obra qualificada. ''Ao mesmo tempo ajudávamos a preservar a história da marca Willys. Foi então que surgiu o 'Castelo do Willys', única do gênero do País'', diz.
A sua preferência pela marca vem da conhecida robustez de sua mecânica, das inúmeras possibilidades de aplicações do veículo, seja para trabalho ou lazer, e da história da Willys, um ícone da indústria automobilística nacional. ''Um Jeep não é só um veículo: é história, é nostalgia, é pioneirismo sobre quatro rodas'', sentencia.
A mecânica é a principal característica dos Jeep Willys. A engenharia da época criou veículos robustos para encarar praticamente qualquer tipo de terreno. Um exemplo é a tração 4x4 e a marcha reduzida, que são mantidas em sua forma original mesmo em veículos que são recuperados e têm suas características modificadas, tamanha confiabilidade e resistência. Na opinião do empresário, os colecionadores de veículos antigos, em sua maioria, estão preocupados em manter a originalidade de seus exemplares. Porém, em razão da dificuldade até então enfrentada pelos colecionadores, muitos acabavam fazendo adaptações, retirando a originalidade de seus veículos.
Na sua avaliação, é difícil traçar o perfil de um aficionado em razão da versatilidade do veículo e do sem número de aplicações. ''O Jeep pode fazer as vezes de trator, ser utilizado como veículo de passeio e até ter uso militar. Atualmente podemos citar mais uma: o uso esportivo. Portanto, o apaixonado por Jeep tem um perfil bastante amplo, misturando história, nostalgia, esportividade e espírito de aventura'', afirma.
Peças raras
A maior dificuldade do colecionador é encontrar peças da época e pessoas preparadas para lidar com um carro tão peculiar. ''Assim como eu, os colecionadores têm as mesmas dificuldades. Porém, minha busca por peças originais permitiu que conhecêssemos várias pessoas, entre elas fornecedores de peças, passando então a reunir em um só local todo o necessário aos colecionadores, disponibilizando peças e acessórios inclusive por meio da internet'', diz.
''Utilizo para passeios com outras pessoas que, assim como eu, são apaixonadas pelo veículo e participo de algumas exposições e encontros de jipeiros. Porém, deve-se ressaltar que nossa empresa revende veículos 'ao gosto do cliente', ou seja, preparados para trilha ou totalmente originais, que servem tanto para trabalho, passeio ou trilhas.
Não é para qualquer um
Esse tipo de carro não é um veículo fácil para ser conduzido por mulheres ou motoristas esporádicos e inexperientes, diz o colecionador. ''Depende de como o veículo é conduzido. Um simples passeio no asfalto não requer grande experiência. Porém, conduzi-lo em uma trilha acidentada requer um pouco mais de experiência por parte do motorista. Ressalte-se que, por ser um veículo mais antigo, é sempre necessária uma boa revisão antes de pegar a estrada'', acentua.

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