O quebra-cabeças da restauração
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Renato Oliveira<Br> Reportagem Local 
A restauração de carros antigos é um negócio caro e demorado. Chega a ser artesanal na maior parte dos casos. Isso abre um nicho no qual poucas oficinas se aventuram. O londrinense Alexandre Bonfin de Moraes é um deles. Em 12 anos ele transformou cerca de 100 carros condenados ao ferro velho em candidatos à placa preta.
O processo de restauro é minucioso e por isso não pode ser centralizado. Na oficina, Moraes trabalha junto com o mecânico Marcos Stuck que cuida da restauração de peças como porcas e parafusos originais, da mecânica e da montagem dos carros. A parte de funilaria e pintura fica a cargo do cliente.
Apaixonados por veículos como o médico João Fernando Góes Caffaro Filho. Na infância, andava pelas ruas de Londrina no banco traseiro do Galaxie 500, ano 1968, da família, acompanhado de pai, mãe e irmãos. Muitos anos depois ele resolveu sair da esfera das lembranças. Comprou de um amigo um combalido modelo idêntico por R$ 4 mil.
Em 2005, Caffaro Filho encampou a restauração do Galaxie que ficou pronto apenas em 2009. Ele não teve muitos problemas, visto que apenas a lataria estava deteriorada após passar anos tomando chuva e sol. Foram dois anos até encontrar alguém para refazer pintura e lataria. ''Eu não encontrava um funileiro que me passasse firmeza. Quando conheci o Armando Tano, em Ibiporã, por meio de outro colecionador a restauração andou'', comenta.
Além da lataria, outro detalhe que deu trabalho foi substituir a tapeçaria da parte interna e dos bancos. Encontrar no ferro velho saía mais caro que importar dos Estados Unidos. O médico entrou em contato com um parente que enviou pelo correio. ''Deu o toque final do restauro'', aponta ele.
O preço total da aventura, somando aquisição do carro e gasto com peças e mecânicos passou dos R$ 40 mil. A sorte de Caffaro Filho foi encontrar um carro que ''apesar de desgastado, estava completo na questão de frisos, emblemas e calotas''.
E o conselho de Moraes é exatamente procurar um carro no melhor estado possível antes de pensar em restaurar. Ele diz que dá para comprar, por exemplo, um Maverick por R$ 80 mil e gastar R$ 30 mil para deixar em perfeito estado. ''Mas da mesma forma há quem já encontrou por R$ 7 mil e gastou os mesmos R$ 30 mil'', pondera.
''Restaurar depende muito do estado do carro. Todo mundo pensa que é fácil, mas não é. Muitos desistem no meio do caminho. Aquilo que muitas vezes é um prazer acaba virando um transtorno. A pessoa injeta dinheiro, não vê onde foi parar e desiste'', argumenta.
E a receita do Maverick serve para qualquer outro tipo de veículo. ''Às vezes é melhor pagar R$ 25 mil em um carro em bom estado do que R$ 3 mil numa sucata'', completa.
Em meio a tantas dores de cabeça, mecânico e o dono do carro acabam virando amigos, uma característica inerente ao ''antigomobilismo''. O médico confidencia que já havia tentado restaurar um Maverick, mas não obteve êxito. ''Já tentei com outros mecânicos e foi uma enganação'', alerta.
''É a minha 'cachaça'. Com a vida estressante que tenho, acabei encontrando nos carros antigos um escape da rotina. Tendo os profissionais certos, não tem erro. Tanto que consegui a placa preta'', conclui Caffaro Filho.


