O protetor dos motoqueiros
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domingo, 23 de janeiro de 2011
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Capacete tem prazo de validade? Apesar de muitos modelos mostrarem uma data limite, a legislação vigente não prevê um tempo máximo de uso para o principal item de segurança dos motoqueiros. Isso porque é um bem durável. Técnicos do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) recomendam verificar o estado de conservação para saber as reais condições de segurança do produto. Quedas, exposição ao sol e à chuva e o desgaste natural são pontos que devem ser observados.
O gestor do programa de capacetes do Inmetro, Jackson França da Silva, afirma que se o usuário sair da concessionária ''com um capacete novinho'' e derrubar no chão logo em seguida, dependendo do impacto, a capacidade de proteção fica comprometida.
Baseado em legislações vigentes na Europa e nos Estados Unidos, ele observa que não existe um estudo sobre a real validade do capacete. ''Se o usuário cuidar bem dele, pode durar dez anos ou até mais. Outros podem durar um dia. Tudo depende do cuidado com o produto'', aponta Silva.
Quem regulamenta as condições de uso do capacete é a portaria 86 do Inmetro, de 24 de abril de 2002. A norma prevê que ''a certificação destes produtos não faz qualquer previsão quanto a especificação da validade do produto''. O órgão até pede indicação da data de fabricação, mas não há exigência de prazo de validade.
Em função disso, Silva afirma que é possível encontrar no mercado modelos com prazos de validade que variam de três a cinco anos. ''Há quem coloque prazo a partir da fabricação, mas como garantia. Outros a contar da aquisição'', sublinha. ''A validade não precisa. O que precisa ter é uma recomendação'', completa.
Assim procede o gerente da Aranda Motos, Cassio Aranda. Ele explica que pede-se para efetuar a troca a cada três anos, mas como forma de renovação. ''O que não pode acontecer é cair no chão. Daí perde a qualidade. O correto é substituir após uma queda muito forte'', argumenta.
O fabricante Beto Bonilha, da fabricante paranaense Pró-Tork, segue a mesma recomendação: trocar o produto após três anos, a partir da data de fabricação. ''Mas é um negócio meio complicado, que varia de acordo com o tempo de uso. Há quem use só nos finais de semana e cuida melhor. Daí tem mais vida útil. Para quem usa de qualquer jeito, o critério é diferente e esse tempo pode ser até menor'', aponta.
Segundo o gestor do Inmetro, outro detalhe na hora do uso que pode tirar a capacidade de proteção do capacete é a ação do tempo. Tomar chuva e sol constantemente, a exemplo de mototaxistas, compromete a qualidade.
''Um motoqueiro que usa muito na chuva acaba molhando a peça. Se depois disso usar no sol, ele perde as propriedades mais rápido. Um produto bem tratado pode durar muito tempo'', exemplifica Silva.
Mais preocupante que o tempo de utilização é o fator impacto. Silva conta que qualquer tombo costuma danificar a estrutura da peça. ''Por mais simples que seja, um impacto abala a estrutura do capacete. Por fora pode ser apenas um arranhão, mas quem absorve o impacto está dentro e é feito de isopor'', argumenta.
Silva conta que é frequente o número de ligações no Inmetro reclamando quando o capacete racha em algum acidente ou queda. Ele esclarece que esta é a função real do item de segurança. ''Às vezes a pessoa pensa que o produto não presta, mas é para isso que ele serve. Se não rachar, pode danificar a cabeça do motoqueiro em outra situação mais séria'', conclui.


