Creditar a qualidade de um veículo à letra inicial da placa já foi uma regra bastante seguida por consumidores. Quem é do ramo já deve ter ouvido um corretor exaltar um modelo porque ele tem a placa A. Essa história começou em 1990, quando as limitações técnicas do sistema usado até então, com duas letras e quatro números, levaram à implantação da nova identificação das placas, com o acréscimo de mais uma letra.
O Paraná foi o primeiro estado a ter a novidade implantada e ganhou as combinações alfanuméricas AAA 0001 a BEZ 9999. A partir daí, quando um carro é transferido de uma cidade para outra ou de um estado para outro, a placa não é mais alterada, apenas o filete com o nome da cidade.
Começou então o argumento de que carros com a placa A seriam pouco rodados e também não seriam de regiões com praia. "As pessoas olham para um carro com placa iniciada em K, que é de Goiás, por exemplo, e fazem cara feia, porque ele veio de lá até aqui. Mas ele pode ter rodado bem menos que um de Curitiba, estar em melhores condições até", avalia o corretor Ronaldo Seixas.
Segundo ele, um carro pode ser bem cuidado e não ter a placa A, enquanto outro pode ter a placa A, mas estar em péssimas condições. "A coincidência até existe em alguns modelos, algumas situações pontuais, mas principalmente hoje, 24 anos depois do inicio desse sistema, não dá para creditar a qualidade do carro só a esse fator", explica.
Um conselho é fazer uma avaliação mais aprofundada do veículo antes de comprar. "O que vale é verificar as revisões, checar a mecânica, levar em uma oficina de confiança para evitar surpresas. A placa pode ser um detalhe, mas há questões mais importantes a se avaliar", recomenda Seixas.

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Um mercado específico costuma levar mais em conta as placas A: é o de carros antigos. "Se o carro da década de 1990 for bem conservado e ainda tiver uma placa AAA, por exemplo, que é das primeiras, é mais valorizado. Mas volto a ressaltar que não é o único item levado em conta", afirma Seixas.

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