O Impala cinquentão do Ademir
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sábado, 02 de julho de 2011
Wilhan Santin <br> Reportagem Local 
A coleção de automóveis antigos do funcionário público federal Ademir Carlos Pauluki, 60 anos, não é das maiores - tem oito peças -, mas seguramente uma das mais belas do Paraná, tamanho é o bom estado de conservação dos carros, todos mantidos em um barracão, sob a cobertura de capas. A maioria ostenta placa preta, logicamente com mais de 80% de originalidade.
Escolher o modelo mais bonito para destacar para uma reportagem é missão quase impossível. Poderia ser o Mustang Ghia 1974, que já ganhou o prêmio de melhor carro da década de 1970 no Encontro Sul-Brasileiro de 2005; ou o Simca Chambord 1965, que está impecável; mas como desprezar o simpático Karmann Ghia, também de 1965? Bom, já que beleza e charme são subjetivos, vamos usar o critério ano de fabricação. Assim, escolhemos o Chevrolet Impala 1961, que está completando 50 anos.
Antes, falemos um pouquinho de como Pauluki se tornou colecionador. Ele relata que foi por causa do filho Estefano. Em 1998 o garoto, pesquisando sobre carros antigos na internet, provocou o pai, questionando-o sobre qual era a relíquia de sua preferência. ''Falei do Simca Chambord, pois quando fiz Tiro de Guerra convivi com um sargento que tinha um desse e que não sabia dirigir, deixando esse serviço para a esposa. Foi algo que me marcou. Então meu filho questionou por que eu não ia atrás de um Simca. Fui, encontrei e nunca mais parei de mexer com carros antigos'', detalha.
Ele realmente não pararia mais, principalmente depois de ser abordado nas ruas de Londrina pelo pessoal do Clube do Carro Antigo da cidade enquanto desfilava com o Simca Chambord. ''Eu ainda nem havia me dado conta de que o Chevette 1975, o meu primeiro carro, que ganhei em uma rifa em Santo Antônio da Platina, mantido perfeitamente original, poderia ser também de coleção. Hoje é um dos raros Chevettes com placa preta do Brasil. Eu o guardo com imenso carinho'', comenta.
Do Impala que possui, ele sabe toda a história. Rastreou conversando com pioneiros de Cambé. ''O carro chegou 0 km ao Porto de Santos, vindo da fábrica, de Detroit, e foi direto para a cidade do Norte do Paraná, onde se tornou objeto de uma rifa, em um campo de futebol. O ganhador da rifa vendeu na mesma hora para um pioneiro daquele município, que morreu alguns anos depois de comprar o carro. Com a morte desse senhor, a família deixou o veículo guardado por 20 anos, vendendo posteriormente. Quando fiquei sabendo dessa história, logo imaginei que o Impala estivesse na região. Saí a procurar. Achei em Londrina'', rememora o colecionador.
Por R$ 25 mil, há sete anos, Pauluki comprou o carro. O estado de conservação exterior e interior é impressionante. O estofado dos bancos é perfeito. ''O carro tem praticamente 20 anos a menos de idade do que as cinco décadas de fabricação, pois ficou parado um bom tempo. Sem falar que, por ser um carro luxuoso, sempre foi tratado com zelo. Além disso, o proprietário anterior a mim conta que achava péssimo o visual dos bancos, com uma aparência muito ruim. Resolveu reformar. Quando foi ver, na verdade se tratava de uma capa de corvin, com o banco original, em couro, perfeito por baixo'', explica Pauluki.
O motor desse Impala é um V6 2.4l de 136 cavalos de potência. A Chevrolet produziu Impalas bem mais potentes, principalmente no início da história do carro, que começou como conceito em 1956 e esteve vinculado ao Bel Air em seus primeiros anos com opções de motores de até 280 cv. O modelo 1960, com motor V8, chegava a 335 cv. Na animação ''Carros 2'', da Pixar, o personagem Ramone é um Impala.
Ainda hoje, o Impala faz parte do catálogo da GM. A última versão produzida foi em 2006. Recentemente, a montadora anunciou que deve voltar a produzir o sedã em 2012 na planta de Detroit.
Sobre o segredo para ter uma coleção tão caprichada, Pauluki ensina que é preciso ter muita paciência e carinho, além de um certo apoio da família. No caso dele, a mulher Maria Helena e o filho acabam compartilhando do gosto. Um dos prêmios para o colecionador é o círculo de amizades que se forma em torno das relíquias. ''As pessoas pensam que é preciso ser milionário para ter uma coleção. Na grande maioria dos casos não é assim. Eu, por exemplo, tenho só a minha casa e meu carro popular. O que é necessário mesmo é a paciência para lidar com os carros e encontrar boas oportunidades'', finaliza.


