Para esses dois amigos não basta apenas a paixão por carros. Eles são aficionados por um único modelo: o VW Fusca. E mesmo assim a ideia de ter um carro simples, original, não faz a cabeça deles. As brincadeiras de Eliane Gomes e O'Neil Braz da Cruz, de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), é pautada na disputa dos acessórios do carro. E virou coisa séria.
As suas histórias têm início diferente. A empresária Eliane Maria de Paula Gomes lembra que perdeu o sono quando ganhou o Fusca 1973 de presente do marido. ''Fiquei tão emocionada que não consegui dormir por quatro noites depois que ganhei o carro'', comenta. E não era para menos, ela esperou o Fusca por mais de 20 anos. ''Toda vida pedi um Fusca. Quando era solteira meu pai não podia me dar, depois que casei meu marido relutou, mas acabou cedendo'', conta ela que diz ter pedido o presente ao marido por 15 anos.
E o porque um Fusca? Ela queria um carro pequeno, fácil para estacionar e que fosse exclusivamente seu. ''Queria um carro para ser só meu, que nem meus filhos e meu marido usassem. E ele tinha que ser cor-de-rosa com brilho de purpurina para ser único. Podem até ter outros carros cor-de-rosa, mas com brilho só o meu. É meu luxo, não vivo mais sem ele'', diz. Por onde passa, o Fusca ganha toda a atenção. ''Quando saio com ele faz o maior sucesso, não tem quem não pare e peça para olhar de perto''.
Além da pintura diferente, o carro teve o estofado revestido com couro sintético de jacaré, ganhou vidros elétricos, som, insulfilm, retrovisor cromador, faróis ''tipo Herbie''. Tantos mimos consumiram gastos de cerca de R$ 20 mil. E os cuidados com o veículo ficam por conta de uma única oficina instalada na cidade. ''Os mecânicos têm mais ciúmes do carro do que eu'', diverte-se a empresária.
Sonho de criança
Já a história do policial militar O'Neil Braz da Cruz começou ainda na infância. ''Toda criança sonha em ter um Fusca na vida. Eu tinha esse sonho e consegui realizá-lo'', orgulha-se. Ele comrpou o carro há apenas dois anos, mas avisa que o Fusca chegou e para ficar na família. ''Minha esposa diz que o carro vai ficar presente para meu filho quando ele completar 18 anos'', comenta.
O Fusca 1970 tem o motor adaptado. ''A carcaça e pintura são originais, o motor é 1600 adaptado, os bancos são do Palio para ficar mais confortável'', afirma. Segundo ele, admiradores chegam a fazer propostas de compra, mas que não são aceitas. ''Tenho uma relação de amor com ele (o Fusca). As crianças 'brincam' com ele, um dia colocam um adereço aqui, outro lá e ele já se tornou parte da família'', conta. Ele é tão aficcionado por fuscas que por onde anda leva consigo uma máquina fotográfica. ''Carrego uma máquina digital e onde vejo um fusquinha diferente paro, peço para o dono tiro foto com ele e guardo de lembrança'', diz.
Vivendo na mesma cidade, chegou uma hora em que as histórias dos dois amigos se encontraram. ''A Eliane sempre que colocava um adereço diferente em seu carro me procava e dizia que o dela estava mais bonito que o meu. Aí comecei a caprichar e a cada novo 'enfeitinho' que colocava passei também a provocá-la'', lembra. E essa foi a rotina, até que Eliane teve uma ideia: organizar um encontro de Fuscas na cidade. Na segunda edição, um novo evento deverá ser realizado no próximo mês.

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