O uso do cinto de segurança por motorista e passageiros é uma obrigatoriedade estabelecida no artigo 65 do Código Brasileiro de Trânsito e, para os ocupantes dos bancos dianteiros, já absorvida culturalmente. Entretanto, o mesmo não acontece para os bancos traseiros, onde o uso do equipamento de segurança ainda é negligenciado.
Existe uma falsa sensação de segurança dos ocupantes traseiros. Falsa porque o não uso do cinto em situações de frenagens ou colisões pode fazer com que o passageiro seja projetado contra o banco dianteiro, causando sérias lesões em ambos. O técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) Alessandro Rubio explica.
"O peso do ocupante que está atrás empurra todo o encosto do banco da frente e esse corpo é esmagado entre o cinto e o encosto. Isso acontece em qualquer desaceleração, em caso de impacto, a força é maior", detalha. Um adolescente de 50 kg, por exemplo, em uma colisão a 50 km/h terá seu peso aumentado para 1.250 kg, quando atingirá os ocupantes da frente ou o painel do veículo.
Levantamento da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) revelou que em algumas cidades do interior paulista cerca de 60% dos veículos circulam com passageiros traseiros sem cinto. E esta não é uma realidade apenas do Brasil. A Ford realizou pesquisa na Europa e constatou que mais de um terço das pessoas não usam o cinto de segurança no banco de trás dos automóveis. O estudo ouviu mais de 7 mil adultos nos principais países do continente.
"Acredito que as pessoas precisam se conscientizar um pouco mais que elas também são responsáveis pela vida de quem está atrás no banco", defende Rubio. Além da conscientização, tem o peso no bolso. A responsabilidade pelo uso do cinto de segurança nos bancos traseiros é do condutor e a não utilização é considerada infração grave, sujeita a multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira.

Três pontos

Aclamado como mais seguro, o cinto de três pontos – que envolve o tórax do passageiro – existe na maioria dos veículos, mas raramente no assento traseiro central. Realidade que vai mudar a partir de 2020, quando o modelo se torna obrigatório a partir da Resolução 518 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
O técnico do Cesvi explica que o cinto abdominal retém somente a parte do quadril do passageiro, deixando o tórax sujeito à força do impacto. Já o de três pontos segura o tórax e o ombro, diminuindo o risco de lesões na coluna.

Objetos

Além da obrigatoriedade do uso do cinto por passageiros, o Cesvi alerta para o risco de transportar objetos soltos e, até mesmo, animais de estimação nos bancos, especialmente no tampão do porta-malas. Em caso de frenagem, estes objetos também serão lançados para a frente com peso multiplicado por 25. A orientação é que para que o transporte seja feito no assoalho.
No caso de animais, o Cesvi alerta para a possibilidade de distração do motorista e faz outra conta alarmante. "Durante uma distração de um 1 segundo ao volante, o carro roda 28 metros, quando a 100 km/h por hora e, as pessoas, às vezes, não têm noção."

Continue lendo:

- Taxista fixa aviso para passageiros

mockup