Construir do zero um carro de corrida com foco no off road, atentando para detalhes de transmissão, design e suspensão. Este é o desafio proposto a alunos de engenharia de todo o País pelo Projeto Baja SAE Brasil. No Paraná, equipes de sete instituições de ensino participam do desafio, dentre elas, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal (UTFPR). A SAE, promotora do evento, é uma associação sem fins lucrativos que atua em vários países disseminando técnicas e conhecimento em relação à mobilidade.
A competição nacional acontece na próxima semana, entre 5 e 8 de março, em Piracicaba (SP). O objetivo é reforçar a qualificação dos estudantes das engenharias a fim de melhorar a qualidade da mão de obra no setor automotivo. Os carros participantes têm um padrão a seguir: motor de 10Hp (10,14 cv), estrutura tubular (a chamada gaiola), espaço para acomodar um piloto de até 1,90 m. As equipes chegam a passar um ano no processo de montagem dos veículos.
O professor de engenharia mecânica da UFPR, Jorge Luiz Erthal, acompanha a equipe Baja SAE e explica que o regulamento da competição traz uma série de exigências, especialmente quanto à segurança. "Eles são bem rígidos quanto ao material utilizado, suspensão, o motor tem potência bem baixa, para garantir a segurança e desafiar os alunos a fazerem um carro em cima desse motor", detalha.
O acerto da suspensão deve ser o diferencial da equipe UFPR neste ano. Dentre as três opções existentes - tubular, MacPherson (eixo dianteiro) e de eixo rígido (traseiro) –, a equipe escolheu a segunda, utilizada na maior parte dos carros urbanos, por ser mais simples e mais leve.
"A escolha da suspensão é um grande desafio, porque tem que garantir estabilidade; em terreno bastante acidentado o carro não pode ficar pulando muito porque perde tração e desempenho. É importante sempre manter a roda em solo", explica.
O aluno do 4º ano de engenharia mecânica e capitão da equipe da UFPR, André de Moura Born, de 21 anos, participa do desafio desde 2011 e enxerga a oportunidade como uma forma de aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula.
"É um projeto muito difícil, de engenharia, e também de conseguir o dinheiro, então, envolve muitas áreas", afirma. Segundo Born, o carro que será usado na etapa nacional na próxima semana estreou na fase regional, em novembro do ano passado, em Gravataí (RS), quando a equipe conquistou o terceiro lugar.
"A suspensão mudou completamente, mas também mudou a direção, a estrutura e a parte elétrica é totalmente nova", diz. A equipe espera se classificar entre as dez primeiras no desafio.

Cornélio Procópio

A equipe ProcoBaja, da UTFPR de Cornélio Procópio, não vai participar da fase nacional do desafio porque houve atraso na chegada de uma das peças componentes do carro. A professora do departamento de Engenharia Mecânica, Émillyn Trevisan Olívio, explica que a formação de uma equipe para participar da competição era um antigo anseio da universidade, mas houve dificuldades.
"A equipe vem tentando dar certo desde que eu era aluna da UTFPR, em 2009, mas como somos campus do interior, a gente não conseguia verba para montar o carro", relata. Somente em 2014 a equipe ganhou força e uma oficina dentro da universidade para montar o protótipo. Por se tratar do primeiro carro, Émillyn diz que a ambição é apenas concluir o circuito.
"Tem muita cosia que pode inovar e cada equipe busca ser mais rápida, mais leve; o piloto também é muito importante. Os alunos têm que estar totalmente entrosados e conhecer todas as partes do carro", planeja.

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