O Fairlane Skyliner 1957 torna-se o centro das atenções onde quer que esteja. Mesmo em um espaço compartilhado apenas por carros antigos, o veículo se destaca pelo incrível teto conversível elétrico, uma tecnologia impressionante para a década em que foi produzido, apresentada como uma "revolução" da engenharia pela Ford na época. Ainda hoje, tal tecnologia é restrita a automóveis de luxo; nos mais baratos, somente pequenos tetos solares são mais comuns.

A preciosidade pertence à recente coleção do empresário londrinense Paulo Gouveia, iniciada há cinco anos com a aquisição de um Mercury. Ele não revela a totalidade da frota, mas diz possuir carros que datam desde 1921. No entanto, ele considera o Fairlane "um dos melhores carros de Londrina, por ser diferente".

"Eu gosto das linhas retas dele, você olha, olha, e não enjoa. E por ser conversível, é bem divertido de dirigir", declara Gouveia. O modelo Skyliner da linha Fairlane foi fabricado por apenas dois anos - entre 1957 e 1959 - e marcou época, tanto pelo teto conversível quanto pelo motor V8 de 250 cv. A linha, lançada em 1955, era apresentada como símbolo de conforto e sofisticação, expressos no nome Fairlane, cuja inspiração foi a casa de campo em que Henry Ford viveu com a família entre 1915 e 1950, em Dearborn, Michigan.

Dentre as seis opções de carroceria, a versão conversível se destacava, mesmo tendo o êxito comercial freado pelo alto valor de venda. Assistindo à abertura e ao fechamento do teto retrátil podemos imaginar o frisson que a tecnologia causava nos anos 1950. Primeiro, a imensa tampa do porta-malas se ergue para receber a capota rígida, que se move lentamente até se acomodar dentro do espaço aberto. Todo o procedimento demora cerca de 45 segundos. Aos curiosos que pediam a repetição, Gouveia avisava que era preciso economizar a bateria.

De cores discretas, o Fairlane mantém a pintura tipo saia e blusa em branco e bege. Por dentro, outras belezas: os bancos bicolores (preto e branco), os cromados no volante e no painel, o velocímetro linear. No volante, uma inscrição em inglês identifica a direção hidráulica. O câmbio fica na coluna de direção e a transmissão é automática de três velocidades.

"Eu gosto de carro antigo, me sinto bem dentro dele, e chama a atenção por onde passa", relata Gouveia, que importou o Fairlane dos Estados Unidos. A raridade compõe uma espécie de museu particular no espaço do hotel pertencente à família Gouveia em Londrina e não se destina a uso comercial, apenas cultural e recreativo. Pudemos conhecer esta preciosidade em um recente encontro de antigomobilistas.

Quatro dos veículos dos Gouveia já possuem placa preta (que indica 80% ou mais de originalidade) e o próximo a receber deve ser um Eldorado 1971, importado em 2011 do Uruguai. O filho do empresário, Paulo Gouveia Júnior, divide com o pai a paixão pelo antigomobilismo, como também os cuidados com os exemplares da coleção. Ele conta que sempre gostou de carros, mas despertou para os antigos há pouco tempo. "Me interesso pela tecnologia, pela história do carro", explica, enquanto manobra uma das antiguidades.

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