'O caminhão é a minha casa'
Toninho de Uraí estreou na estrada aos sete anos de idade. Junto com o pai, na primeira aventura teve a chance de conhecer São Paulo na época das férias da escola. ''Chegava a ficar uma semana, dez dias com ele andando pelas rodovias. Do lado do meu pai não tinha medo de nada'', recorda.
Aos 19 anos pegou pela primeira vez a boleia. Aprendeu a dirigir num caminhão 'Fenemê', modelo da antiga Fábrica Nacional de Motores (FNM), que depois virou Alfa Romeo. Desde então divide sua vida com a casa onde tem mulher e duas filhas e os longos períodos na estrada.
''Caminhoneiro vive dormindo em postos. Quando o relógio bate 22 horas a pessoa precisa parar e pernoitar. Como o caminhão tem cama grande e ar condicionado, você dorme como se estivesse em casa'', explica.
Para o frotista Jonas Furlan, se para uns a vida de caminhoneiro tem um lado empolgante, para outros deixou de ser um trabalho interessante. Morar na estrada tem afastado muitos que preferem às vezes ganhar menos, mas ficar perto da família.
''Quem entra nessa vida precisa entender que o caminhão vai virar sua casa. Quando você vai com uma carga para João Pessoa (Paraíba), tem que saber que serão quatro dias e quatro noites só para chegar'', ressalta.
O principal problema do caminhoneiro há alguns anos era a comodidade. O frotista afirma que se as cabines deixavam a desejar no quesito conforto, hoje em dia ''o caminhoneiro mais passeia do que trabalha''. ''Tem caminhão com colchão melhor do aquele que tem em casa. Tem geladeira e som da melhor qualidade'', exemplifica.
O problema ainda é a falta de lugares para pernoite. Poucos postos oferecem estrutura segura e confortável. ''Os que são bons cobram taxa de pernoite. Precisava criar mais pontos, melhorar nessa parte. Numa viagem de mil quilômetros é importante ter pontos de apoio no meio'', finaliza. (R.O.)





