Depois de mais de uma década de espera, o ''corredor de morte'' entre Curitiba e Florianópolis está finalmente duplicado. O que era um sofrimento -passar horas atrás uma imensa fila de caminhões- é agora um passeio quase agradável. Somente o retorno é triste, graças á Prefeitura de São José dos Pinhais, que insiste em trancar a Avenida das Torres na altura do cruzamento com a Ruy Barbosa na vã esperança de arrancar um viaduto do Governo do Estado.
A sensação de segurança é também muito maior. Com a duplicação, o risco de uma colisão frontal é quase zero. Embora o projeto do trecho paranaense na serra não seja dos melhores, quem conhece a estrada sabe baixar a velocidade nos trechos críticos. (Para aqueles que não conhecem a estrada, cuidado com a curva à direita do tipo ''surpresa!'', com superelevação negativa e uma barreira central reduzida a uma fileira de blocos de concreto, bem no meio da descida).
A boa notícia para os viajantes ao sul de Florianópolis é que o trecho Floripa - Porto Alegre também deverá ser duplicado nos próximos anos. A má notícia é que, durante a execução das obras, aumenta o número de acidentes, especialmente com caminhões.
No trecho do corredor de Garuva a Florianópolis, por exemplo, houve uma forte mudança no padrão de acidentes no começo das obras em 1997:

Com o término das obras de duplicação o número de mortos caiu cerca de 60%. Atualmente, o dia de maior concentração de acidentes é sábado e a causa principal é a ''perda de controle do veículo''. É a embriaguez que mata.
Porém, embora a gravidade dos acidentes tenha diminuído ao longo da fase de obras-devido à separação dos fluxos, o número de acidentes entre 1996 e 1997 (o começo das obras) aumentou em 23%, com um aumento de 35% no envolvimento de caminhões pesados.
Este aumento de acidentes aconteceu em todos os dias da semana, especialmente nos dias úteis. Estes dados mostram claramente que havia problemas com a qualidade do controle do tráfego e da sinalização de obras. Quem viajava bastante - como eu - deve lembrar que algumas obras tinham até uma ''sinalização'' feita de pedras: lascadas e nem polidas...
Outra lembrança de fortes emoções eram os desvios do tipo ''surpresa!'' nas obras de passagens em desnível. Após alguns quilômetros de pista dupla, dirigindo a cento e poucos kmh, a estrada mergulhava de repente para o lado. Inesquecível, especialmente á noite e na chuva.
Os empreiteiros têm o objetivo principal de fazer a estrada e faturar. Se há uma placa colocada com os dizeres ''cuidado 60kmh max - obras nos próximos 20km'', consideram o dever cumprido. A supervisão da obra é normalmente feita pela empresa projetista e o negócio desta empresa é garantir que a obra terminada seja de acordo com o seu projeto. Faltava alguém para zelar só pela qualidade de segurança oferecida durante a execução.
Há uma expectativa que o padrão de construção das obras de duplicação do trecho até Rio Grande do Sul, especialmente na gestão ambiental e segurança dos usuários, seja um modelo para as obras rodoviárias futuras.
Sempre levo uma máquina fotográfica descartável no carro. Espero não tirar nenhuma foto de pedras no meio do caminho. Nem que sejam polidas.
Alan Cannell é especialista em trânsito.

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