O ASSUNTO É...
No Brasil as tentativas de levar a educação de trânsito para as escolas regulares de ensino já passam de uma década. No ano de 1991, o Ministério da Educação baixou uma portaria onde os professores de todas as disciplinas e todos os níveis de ensino deveriam ensinar os fundamentos do trânsito; a Presidência da República decretu 1994, como o Ano Nacional da Educação para o Trânsito#; e finalmente o novo Código de Trânsito Brasileiro, discutido e aprovado no Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República em 1997, contempla com um capítulo a Educação para o trânsito.
Em que pese todos estes esforços até o presente momento, o atual Ministro da Educação e amigo pessoal do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pouco ou nada fez para cumprir o que determina a Lei, ou seja, todos os professores brasileiros deveriam já estar a dois anos lecionando os fundamentos de trânsito no 1º, médio e universidades. O ministro ainda não sabe que morrem cerca de 50 mil pessoas por ano, no Brasil, em acidentes de trânsito e que a grande maioria das vítimas está justamente na faixa etária escolar.
Nos Estados Unidos da América do Norte alguns Estados se posicionaram a respeito desde a década de 70. O prof. Phd em Educação de Trânsito pela Universidade de Michigan-EUA, Dr. Allen Robinson, introduziu a matéria em várias universidades, escolas primárias e secundárias dos Estados Unidos. Segundo Robinson, que também é presidente da Associação Nacional de Educação de Trânsito e Formação de Motoristas dos EUA., os adolescentes são 7% da população dos Estados Unidos, mas suas mortes representam 15% de todas as mortes.
O Conselho Nacional de Segurança daquele país calcula que cada morte no trânsito custa 900 mil dólares à economia. Apenas com a redução das mortes no trânsito, os programas de segurança no trânsito economizaram 8,1 mil dólares. Segundo Robinson, nos locais onde foi introduzida a educação de trânsito quem ensina é selecionado entre médicos, funcionários de hospital, pais, professores da rede pública, professores da rede privada, policiais, associações de segurança, motoristas experientes, atores, personalidades da TV, a Associação Americana de Automóveis, Conselho Nacional de Segurança, faculdades e universidades.
O material didático é desenvolvido pela editoras de livros, fabricantes de automóveis e motos, companhias de seguros, agências estaduais e federais, Clube Americano do Automóvel, Conselho Nacional de Segurança e produtores de TV. Para o professor Norte-americano, o nosso problema número 1 é a morte em carros de passeio. Setenta e cinco por cento das mortes no trânsito são de passageiros de automóveis. Certamente temos uma solução para esse problema. Ela passa pela proteção para o ocupante através do uso de: cadeirinhas para nenês e crianças com menos de quatro anos, cintos de segurança e sacos de ar (airbag) para os demais.
A educação para o trânsito para estes níveis e dessa forma nas escolas públicas é assim: segurança do passageiro de automóvel, segurança do pedestre, segurança do ônibus escolar, segurança do ciclista (5 a 6 anos); educação sobre o álcool, segurança do passageiro, segurança do ciclista (7 a 9 anos); educação para o motorista iniciante (para quem tira carteira antes dos 18 anos), educação sobre o álcool, educação sobre segurança na escola, clubes de segurança patrocinados pela escola (10 a 12 anos); curso especializado em segurança no trânsito como parte integrante de cursos de educação para adultos, motos (ministrado por motociclistas para pessoas que ainda não sabem dirigir), trator e trailer (ministrado por motoristas de caminhão experientes para pessoas que querem ser motoristas profissionais) (Adultos); ministrado por motoristas da terceira idade, em boas condições de saúde com fichas limpas no departamento de trânsito, para pessoas idosas (55 e idosos).
O treinamento dado aos professores segue as seguintes regras: para professores da rede de escolas públicas - precisam ter entre 9 e 12 horas de crédito por semestre (3-4 cursos) de cursos relacionados à segurança no trânsito tais como, Teoria da prevenção de acidentes, Como ministrar cursos sobre segurança, Como organizar, planejar e conduzir cursos sobre segurança. Como desenvolver material para cursos sobre segurança, Treinamento especializado com carros, motos e caminhões; Para professores leigos: Pessoas que desenvolvem trabalhos pró-segurança, policiais, professores de associações pró-segurança etc.
Essas pessoas são treinadas apenas para usar programas específicos. Se o curso sobre segurança for de 40 horas, eles devem: fazer o curso eles mesmos, praticar várias vezes como ministrar o curso, ministrar o curso, sozinhos, algumas vezes sob orientação. Parte deste treinamento consiste em O que não se deve fazer. Nestes cursos é ensinado principalmente sobre a proteção para o ocupante do veículo.
A lei exige que as escolas primárias devem ensinar segurança, que se deve usar cadeirinhas infantis, cintos de segurança, capacetes para motos, testes de conhecimento teórico e prático antes de tirar a carteira, cassação da carteira e cadeia para pessoas que dirigem sem documentos (DUI), cassação da carteira para reincidentes. Num curso rápido para crianças, o prof. Robinson indica as seguintes lições: Lição 1 - Ruas são para carros; Lição 2 - Calçadas são para pedestres, Lição 3 - Pare no meio-fio, Lição 4 - Carros são maiores do que eu, Lição 5 - Sempre atravesse a rua com uma pessoa mais velha.
Ulisses Iarochinski
Jornalista especialista em trânsito
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