O ASSUNTO É...
Segundo a Policia Rodoviária Federal, ocorrem cerca de cinco mil mortes por ano nas rodovias federais. Nestes dados não estão incluídas as mortes nas demais vias do país e tampouco as que ocorrem no período de 30 dias após os sinistros. Se a PRF tem uma padronização na coleta e tabulamento dos dados, o mesmo não se pode dizer dos vários departamentos estaduais de trânsito. Fica quase impossível acreditar nos números reunidos pelo Denatran. Não sabemos quantas pessoas estão morrendo atualmente em acidentes de trânsito no Brasil. E para se atacar o problema é preciso conhecer a verdade dos números.
Por outro lado, na Suécia, as mortes por acidentes de trânsito chegam somente a 450 por ano. As vias suecas são excelentes e apresentam velocidades máximas variáveis. Dependendo da geometria, padrão, largura e pavimento do trecho, a permissão vai de 30 km/h a 110 km/h. Os técnicos suecos têm procurado saber quais são os efeitos desta variedade de velocidades máximas nos motoristas e se os motoristas acreditam na competência dos técnicos cumprindo o que diz a sinalização e a lei.
Mesmo com baixos índices de sinistros, os suecos não estão satisfeitos. Uma medida aprovada em Estocolmo adotou a velocidade máxima de 30 km/h para todas as vias urbanas. Aqui tem vereador-piloto querendo aumentar a velocidade de 60 para 80 km/h nas ruas de Curitiba. No Brasil, os motoristas não só não acreditam nas placas indicativas como os próprios técnicos não têm critério. Por sua vez a fiscalização empregada pela Polícia Rodoviária também não ajuda. Munidos de radares, os policiais se escondem ao longo de retas e multam. Tais retas, em pistas duplas de três faixas, normalmente teriam placas de 130 km/h de velocidade máxima em países europeus, mas contrariando as disposições do código, muitos destes policiais alegam que a velocidade permitida é a das antigas placas de 80 km/h que não foram retiradas.
Motorista mal educado, apesar de inconsequente, não quer morrer. Todo motorista tem um pouco de aventureiro e isso significa arriscar, ir além dos limites. Este motorista não acredita em placas que dizem 30 km/h quando ele passa a 100 km/h e nada acontece.
Na Escandinávia, onde se registram os menores índices de acidentes, mortos e feridos, os governos dos países da região têm tratado a questão do trânsito com extremo cuidado. O Instituto de Transporte e Economia da Noruega constatou que uma pequena redução da velocidade em uma rodovia, onde os acidentes estavam continuamente em elevação, apresentou uma significante melhoria nas condições de segurança e freou o aumento contínuo de acidentes. À medida que se reduz espontaneamente a velocidade, os acidentes com mortes e com feridos tendem a diminuir. Enquanto isso as autoband austríacas continuam famosas por seus 130 km/h de velocidade permitida.
Estudiosos do tema buscaram uma velocidade ideal que não provocando acidentes também não provocasse gastos maiores de combustível e perda de tempo. Eles encontraram: a velocidade ideal está entre 70 a 90 km/h, mais especificamente nos 80 km/h. É neste patamar que o tempo, o consumo e a periculosidade estão em seus degraus mais baixos.
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Ulisses Iarochinski . Especialista de trânsito pelo VTI da Suécia
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