Se o trânsito já anda complicado, podemos imaginar como seria em alguns anos, com mais de um milhão de veículos procurando o mesmo espaço viário ao mesmo tempo
Para gerenciar esta demanda e evitar o ‘‘gridlock’’ (um congestionamento monstruoso que travaria uma boa parte da cidade) a única opção é o uso de tecnologia em tempo real (‘‘real time’’) para otimizar a infrea-estrutura disponível. Esta tecnologia – que incorpora os avanços da computação e da Internet – é relativamente barata e de instalação rápida e funciona.
Um exemplo de controle em tempo real opera em 36 cruzamentos na região do Batel. Detectores embutidos no asfalto transmitem informações sobre as condições do trânsito a um computador central. Quando acontecem situações anormais, como engarrafamentos, os planos de tráfego, (ou seja, o sincronismo e tempos verdes) são modificados para minimizar os níveis de congestionamento e evitar que as filas cheguem a ‘‘fechar’’ as ruas transversais.
O sistema realiza cerca de mil intervenções durante o pico da tarde, alocando o tempo verde disponível dos semáforos para cada fluxo de acordo com os volumes de tráfego e comprimento das filas. Em casos extremos, quando a demanda para uma determinada área é simplesmente maior que a capacidade otimizada, o sistema permite a aplicação de ‘‘Máscaras Estratégicas’’: intervenções mais fortes para evitar a formação de congestionamentos descontrolados. Neste caso, parte da demanda é represada e há uma ‘‘estocagem’’ de veículos fora da área congestionada.
Para testar os resultados do novo sistema, a empresa fabricante - que é Curitibana - verificou os níveis de congestionamento (com e sem a atuação do sistema) nos dias de fluxo anormal que antecederam o último Natal. O fluxo de veículos circulando nesta área era de aproximadamente 250 mil por dia, com 17,5 mil na hora de pico.
Foi observado que nos principais corredores de Silva Jardim, Visconde de Guarapuava, Iguaçu e Getúlio Vargas, entre as ruas Coronel Dulcídio e Castro Alves, o tempo médio de viagem diminuiu 12% com a implantação do dinâmico. Sem o sistema a área apresentou 12.3 quilômetros de congestionamento às 18h30. Com o controle dinâmico registrou-se apenas 1,5 quilômetro, ou seja, uma diminuição do nível de congestionamento em 87%.
Os benefícios desta redução podem ser medidos em termos de combustível e tempo. Para evitar discussões acadêmicas sobre o valor do tempo, basta dizer que só em gasolina comprada pelos usuários, o investimento no sistema é recuperado em meses. Este é o gerenciamento físico do congestionamento.
Sistemas como este, no entanto, apresentam alguns problemas: mesmo com a atuação do sistema as ruas continuam cheias e o trânsito lento.
Explicar o mecanismo para gente analfabeta em computação é também desafio e, no futuro, exigirá um esforço dobrado do fabricante, da DIRETRAN e os comunicólogos da cidade. Os motoristas precisam entender que sem o investimento, o trânsito ficará bem pior.
Mas se Curitiba tem quase um milhão de usuários da Internet, se os bancos estão todos com ‘‘on-line-banking’’, o mínimo que podemos esperar dos semáforos, onde passa nossa frota veicular (que vale alguns bilhões de reais), carregando nossas vidas (que vale muito mais) é que sejam também plugados em tempo real.
Alan Cannell
transcraftªsoftall.com.br

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