As preocupações principais do Curitibano são a violência e o trânsito congestionado – ambos problemas decorrentes do crescimento da cidade. A Grande Curitiba inchou, em termos de população e tamanho físico e em alguns poucos anos seremos 3 milhões com uma frota de um milhão de veículos. A qualidade de vida da população da Grande Curitiba será determinada não por urbanistas mas pela Lei: áreas de preservação ambiental, mananciais e áreas sujeitas de inundação têm que ser respeitadas e a tolerância com o loteamento clandestino ou invasões terá que ser punida com o afastamento de prefeitos, intervenções e mandados de arresto. A opção será a consolidação de um ‘‘entorno’’ como em Brasília, uma ‘‘periferia’’ como no Rio ou um ‘‘cinturão de miséria’’ como em São Paulo.
O congestionamento é uma consequência de mais gente em mais carros fazendo mais viagens e com distâncias mais longas e não pode ser eliminado. Mas pode ser gerenciado.
Uma cidade como a Grande Curitiba precisa de uma Rede Primária de Distribuição: uma malha viária de alta capacidade onde predomina fluidez, livre de conflitos com pedestres e semáforos. A nossa sorte é que a infra-estrutura básica desta rede existe e é formada pelos Contornos Norte, Sul e Leste e os trechos urbanos das rodovias, principalmente o trecho urbano da BR 116. Com um pouco de imaginação podemos visualizar esta malha, dotada, no mínimo de três faixas de rolamento, iluminação, vias marginais onde há indústria e nenhum cruzamento em nível.
A Rede Secundária é formada por vias como a Avenida das Torres, N. S. da Luz, Kennedy, as chamadas ‘‘Vias Rápidas’’ e ‘‘Conectoras’’ e os ‘‘binários’’. Nestas vias, além do tráfego intenso, tem semáforos, pedestres, ciclistas, motoboys, entradas e saídas de carros de uma multidão de prédios residenciais e comerciais.
O trânsito raramente foi tratado como prioridade pelos formadores do modelo Curitibano de Planejamento – com toda a razão a prioridade foi sempre dada ao transporte coletivo e às áreas verdes. Porém, se os nossos parques e bi-articulados são um modelo internacional, o mesmo não vale para o trânsito, cuja administração foi, até a recente criação da DIRETRAN, relegada ao terceiro ou quarto escalão. O planejamento da nossa rede primária, por exemplo, é dividido entre vários órgãos – e são os mesmos órgãos que planejaram o trevo de Atuba e colocaram um viaduto no lugar errado e projetaram a saída para Joinville e o Aeroporto... É preocupante que não há um projeto definido para nossa rede primária, a obra viária mais importante da Grande Curitiba.
É também preocupante a operação da rede secundária. Como estas vias foram remanejadas ao longo dos anos por obras definidas pelo quarto escalão – mais facilmente sujeita à pressões – há uma proliferação de retornos, canalizações, lombadas e semáforos. Para deixar os usuários mais irritados, muitos semáforos não estão interligados e falta sincronismo. E os pontos de ônibus – especialmente os metropolitanos – tendem a ser em locais que causam pouca visibilidade aos motoristas ou junto aos cruzamentos. Temos até as estações ‘‘tubo’’ em um dos cruzamentos mais carregados da cidade: Martim Affonso e Brig. Franco.
O primeiro passo para minimizar o congestionamento é, portanto, técnico: projetar a rede primária da Grande Curitiba, com os viadutos e rampas de acesso e apresentar à sociedade. O segundo passo é revisar e ‘‘limpar’’ a rede secundária, incluindo o tratamento de trechos críticos de acidentes. Sem um planejamento estratégico e completo da malha com o conjunto claro de obras e seus custos associados, ficaremos apenas com as ações remediadas do cotidiano.
O terceiro passo para gerenciar o trânsito e o congestionamento é o uso intenso da tecnologia moderna em tempo real (real time) para otimizar a infra-estrutura disponível. A grande vantagem é o custo relativamente baixo das obras e a rapidez de sua instalação. Levará décadas para fazer todos os viadutos dos trechos urbanos da rede primária. Ao contrário, as soluções eletrônicas, como veremos na próxima coluna, podem ser implantadas em semanas.
Alan Cannell
transcraftªsoftall.com.br

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